AP Photo/Evan Vucci
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Ex-assessor da campanha de Trump se declara culpado de mentir sobre contatos com russos

Quando foi convidado para integrar o comitê republicano, em março de 2016, George Papadopoulos disse ter se aproximado de um professor russo que seria próximo de integrantes do governo de Vladimir Putin

Cláudia Trevisan, correspondente / Washington, O Estado de S.Paulo

30 Outubro 2017 | 13h03
Atualizado 30 Outubro 2017 | 15h22

WASHINGTON - No acordo de delação premiada que fechou com investigadores federais, um ex-assessor de política externa da candidatura de Donald Trump descreveu uma série de contatos que teve com cidadãos russos relacionados ao governo de Vladimir Putin, um dos quais disse ter milhares de e-mails comprometedores sobre a então candidata democrata Hillary Clinton.

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George Papadopoulos relatou as conversas em inúmeros e-mails que enviou a seus superiores na campanha. No dia 31 de março de 2016, ele participou de um encontro de vários assessores de política externa com o próprio candidato, segundo acusação apresentada à Justiça pelo procurador especial Robert Mueller, que investiga a suspeita de interferência da Rússia nas eleições presidenciais americanas com o objetivo de beneficiar Trump.

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Na reunião, Papadopoulos disse que tinha contatos que poderiam ajudar a organizar um encontro entre o então candidato republicano e Putin.

A admissão de culpa de Papadopoulos é a primeira que vincula diretamente a Rússia a um integrante da campanha republicana. Ele concordou em colaborar com a Justiça depois da comprovação de que mentiu sobre seus contatos com cidadãos russos durante depoimento dado ao FBI (polícia federal americana) no dia 27 de janeiro, crime punido com até cinco anos de prisão.

Quando foi convidado para integrar a campanha republicana, em março de 2016, Papadopoulos disse ter se aproximado de um professor russo com base em Londres que seria próximo de integrantes do governo Putin. Como um dos objetivos de Trump era melhorar o relacionamento com a Rússia, ele acreditou que o contato poderia aumentar sua importância entre os assessores de política externa do candidato.

Dias mais tarde, o professor apresentou Papadopoulos a uma mulher que seria parente de Putin. Em e-mail ao supervisor da campanha e ao time de assessores de política externa, Papadopoulos disse ter sido apresentado a uma “sobrinha” do presidente russo e ao embaixador da Rússia em Londres, onde ele vivia. Segundo Papadopoulos, as conversas trataram da “organização de encontro entre nós e a liderança russa para discutir os laços entre EUA e Rússia sob o presidente Trump”. O supervisor de campanha respondeu “bom trabalho”.

No dia 26 de abril de 2016, Papadopoulos voltou a se encontrar com o professor em Londres. No encontro, o russo disse que havia acabado de retornar de uma viagem a seu país, durante a qual teve contatos com integrantes do governo e foi informado que eles tinham dados comprometedores sobre Hillary. “Os russos têm e-mails de Clinton”, “eles têm milhares de e-mails”, afirmou o professor, segundo relato de Papadopoulos.

Oito dias antes desse encontro, o professor havia apresentado o então assessor de Trump a um russo que teria ligações com o Ministério das Relações Exteriores de seu país. Nas semanas seguintes, Papadopoulos teve várias conversas com essa pessoa para discutir o potencial encontro entre integrantes da campanha e autoridades russas.

No dia 22 de abril, ele enviou um e-mail ao supervisor da campanha com a mensagem: “O governo russo tem um convite em aberto de Putin para o sr. Trump para encontrá-lo quando ele estiver pronto”.

“O procurador especial Mueller parece ter uma testemunha que está cooperando, George Papadopoulos. Isso é significativo. O tempo vai dizer quão significativo”, disse Preet Bharara em sua conta no Twitter. Ele foi promotor do Departamento de Justiça em Nova York até ser demitido por Trump, há poucos meses.

Pouco antes, o ex-coordenador da campanha de Trump, Paul Manafort, foi denunciado perante a Justiça Federal sob acusação de conspiração contra os EUA, lavagem de dinheiro, fraude fiscal e financeira, omissão de seu trabalho como agente de governo estrangeiro e declarações falsas a autoridades americanas.

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