REUTERS/James Lawler Duggan/File Photo
Steve Bannon em Washington em novembro de 2019  REUTERS/James Lawler Duggan/File Photo

Ex-assessor de Trump, Steve Bannon é preso por fraude em Nova York

Autoridades afirmam que Bannon teria fraudado doações para a construção do muro na fronteira entre EUA e México

Redação, O Estado de S.Paulo

20 de agosto de 2020 | 11h18
Atualizado 20 de agosto de 2020 | 21h04

NOVA YORK - O ex-assessor de campanha de Donald TrumpSteve Bannon, foi preso nesta quinta-feira, 20, nos Estados Unidos. O estrategista da Casa Branca está sendo acusado de fraudar doações para a construção de um muro na fronteira do país com o México, uma das promessas de Trump em 2016. Bannon, de 66 anos, foi preso em um iate na manhã desta quinta-feira na costa do Estado americano de Connecticut por agentes federais e libertado no mesmo dia sob fiança. 

De acordo com as autoridades americanas, o We Build the Wall - esforço online de arrecadação de fundos para a construção do muro -  levantou mais de US$ 25 milhões (R$ 138,9 milhões). Bannon e três outros réus "fraudaram centenas de milhares de doadores, capitalizando seus interesses em financiar um muro de fronteira para levantar milhões de dólares, sob a falsa pretensão de que todo esse dinheiro seria gasto em construção", disse o Procurador-geral interino de Manhattan, Audrey Strauss.

Ao ser apresentado ao juiz Stewart Aaron, em Nova York, na tarde desta quinta-feira, Bannon alegou inocência. O juiz fixou uma fiança de US$ 5 milhões para sua libertação, além de restrições de viagens e uso de aviões e navios particulares

De acordo com o Departamento de Justiça dos Estados Unidos, os outros mencionados na acusação são Timothy Shea, que foi anunciado como administrador do Drug Enforcement Administration (DEA), agência americana anti-drogas, Brian Kolfage, ex-militar, veterano da guerra do Iraque, e Andrew Badolato.

"Enquanto asseguravam repetidamente aos doadores que Brian Kolfage, o fundador e rosto público de 'We Build the Wall', não receberia um centavo, os réus secretamente planejaram passar centenas de milhares de dólares para Kolfage, que ele usou para financiar seu estilo de vida luxuoso", revelou Strauss.

Os presos foram apresentados hoje a juízes em locais distintos. Bannon foi apresentado no Distrito Sul de Nova York, enquanto os demais seriam conduzidos a juízes na Flórida e no Colorado. O caso dos quatro ficará a cargo da juíza Analisa Torres, do distrito sul de Nova York.

"Como alegado, eles não apenas mentiram para os doadores, mas planejaram ocultar sua apropriação indébita de fundos, criando faturas e contas falsas para lavar doações e encobrir seus crimes, sem respeitar a lei ou a verdade. Este caso deve servir como um alerta para outros fraudadores de que ninguém está acima da lei, nem mesmo um veterano de guerra deficiente ou um estrategista político milionário", disse Philip R. Bartlett,  inspetor responsável pelo caso.

Considerado um dos agitadores da onda nacionalista de direita que elegeu Trump, Bannon se tornou uma espécie de assessor informal da família Bolsonaro. O presidente Jair Bolsonaro e seus filhos se reuniram com o ex-assessor de Trump em viagens aos Estados Unidos.

Além da família do presidente, o acusado de fraude também manteve contato com figuras centrais do governo, como o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, com quem discutiu detalhes sobre o discurso que Bolsonaro faria na Assembleia-Geral das Nações Unidas dias depois.

Para Entender

Como a família Bolsonaro se aproximou de Steve Bannon

Desde que Jair Bolsonaro se consolidou como candidato à presidência, o ideólogo de uma onda nacionalista conservadora apoia e aconselha a família

Quem é Steve Bannon 

De família católica irlandesa simpática aos democratas, Bannon começou a trabalhar no mercado financeiro após finalizar seus estudos, nos anos 1980, na Goldman Sachs. Em 1990, saiu da Goldman e fundou com colegas da Goldman em 1990 a Bannon & Co, tendo como objetivo “realizar investimentos em mídia”. 

Seus investimentos e ligações o levaram a ser convidado para dirigir o conhecido site de notícias Breitbart News, quando ficou famoso mundo afora pela defesa de ideias nacionalistas e pautas conservadoras. 

O site, fundado em 2007 por Andrew Breitbart, é um dos favoritos da direita conservadora e acusado de veicular notícias falsas e teorias de conspiração, bem como histórias enganosas. 

Antes que Donald Trump surgisse no cenário e obtivesse a vitória eleitoral o Breitbart News costumeiramente atacava o então Presidente Barack Obama e ao establishment democrata em temas como comércio, globalismo e a imigração.

Seu papel no Breitbart News fez com que ele se aproximasse de Donald Trump, o que o levou a assumir a campanha do então candidato Donald Trump. Durante a campanha eleitoral atuou como diretor executivo da campanha a partir de agosto de 2016, apenas poucos meses antes de fevereiro de 2017, quando mereceu a capa da revista Time, que o reconhecia como o verdadeiro cérebro pensante da campanha de Trump, alguém que logo demonstraria habilidades publicitárias e manipulatórias.

Bannon fez parte do Conselho da Cambridge Analytica, empresa criada em 2014 pelo bilionário norte-americano Robert Mercer, tendo como objetivo auxiliar o espectro ideológico conservador com análise de dados coletados online.

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Quem é Steve Bannon e qual sua importância

Bannon trabalhou na campanha vitoriosa de Donald Trump à eleição dos EUA e foi um assessor próximo

Redação, O Estado de S.Paulo

20 de agosto de 2020 | 12h19

Um dos principais assessores da campanha vitoriosa de Donald Trump 2016, Steve Bannon foi preso nesta quinta-feira, 20, em Nova York. Bannon, que atuou como estrategista da Casa Branca após as eleições e saiu ainda em 2017, é acusado de fraudar doações para a construção de um muro na fronteira dos Estados Unidos com o México, uma das promessas de Trump. 

Bannon e três outros réus "fraudaram centenas de milhares de doadores, capitalizando seus interesses em financiar um muro de fronteira para levantar milhões de dólares, sob a falsa pretensão de que todo esse dinheiro seria gasto em construção", informou o procurador-geral interino de Manhattan, Audrey Strauss.

De família católica irlandesa simpática aos democratas, Bannon começou a trabalhar no mercado financeiro após finalizar seus estudos, nos anos 1980, na Goldman Sachs. Em 1990, saiu da Goldman e fundou com colegas da Goldman em 1990 a Bannon & Co, tendo como objetivo “realizar investimentos em mídia”. 

Seus investimentos e ligações o levaram a ser convidado para dirigir o conhecido site de notícias Breitbart News, quando ficou famoso mundo afora pela defesa de ideias nacionalistas e pautas conservadoras. O site, fundado em 2007 por Andrew Breitbart, é um dos favoritos da direita conservadora e acusado de veicular notícias falsas e teorias de conspiração, bem como histórias enganosas. 

Antes que Trump surgisse no cenário e obtivesse a vitória eleitoral, o Breitbart News costumeiramente atacava o então presidente Barack Obama e o establishment democrata em temas como comércio, globalismo e a imigração.

A atuação no Breitbart News fez com que Bannon se aproximasse de Trump e assumisse a campanha do então candidato a partir de agosto de 2016. Em fevereiro de 2017, ele foi capa da revista Time, que o reconhecia como o verdadeiro cérebro da campanha por suas habilidades publicitárias e manipulatórias.

Bannon é conhecido no Brasil, na Hungria e na Itália por ter se aproximado de lideranças nacionalistas de direita. Ele se tornou uma espécie de assessor informal da família Bolsonaro - o presidente e seus filhos se reuniram com o ex-assessor de Trump em viagens aos Estados Unidos.

Para Entender

Como a família Bolsonaro se aproximou de Steve Bannon

Desde que Jair Bolsonaro se consolidou como candidato à presidência, o ideólogo de uma onda nacionalista conservadora apoia e aconselha a família

Em entrevista ao Estadão em 2019, Bannon defendeu que "o populismo é o futuro da política". "O populismo de direita que foca na classe trabalhadora e classe média é o futuro. O fato de ter Trump, Salvini e Bolsonaro, nos EUA, Europa e América do Sul, mostra que o modelo funciona. Os três se conectam com a classe trabalhadora de uma forma visceral", afirmou.

Bannon também integrou o conselho da consultoria Cambrigde Analytica, acusada de usar dados de milhares de usuários do Facebook para interferir na eleição americana de 2016. A companhia de marketing político prestou serviço para a campanha de Trump e teve acesso a dados de pelo menos 87 milhões de pessoas com o objetivo de influenciar o resultado das eleições. 

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Steve Bannon: ‘O populismo é o futuro da política’

Para ex-estrategista de campanha de Donald Trump, Bolsonaro representa a chance de se espalhar o nacionalismo de direita pelo mundo 

Entrevista com

Steve Bannon

Beatriz Bulla, Correspondente / Washington, O Estado de S.Paulo

17 de fevereiro de 2019 | 04h00

Ex-estrategista de Donald Trump e um dos responsáveis pela retórica nacionalista que fez o republicano chegar à Casa Branca, Steve Bannon avalia que o futuro da política é o populismo. Segundo ele, o Brasil será chave para os EUA equilibrarem o poder da China e Jair Bolsonaro é a chance de se espalhar o movimento de direita pela América do Sul. 

Ao falar sobre os EUA, avalia que Trump estará em boa posição para 2020 se entregar as promessas de campanha, entre elas a construção do muro na fronteira com o México, e diz que houve uma radicalização recente do Partido Democrata. Ele elogiou a deputada democrata Alexandria Ocasio-Cortéz, considerada integrante da ala mais à esquerda do partido. "Apesar de discordar do seu socialismo, ela se tornou uma figura política muito poderosa de maneira muito rápida", afirma.

Bannon foi parte do conselho da Cambrigde Analytica, consultoria acusada de usar indevidamente dados de milhares de usuários do Facebook para interferir na eleição americana de 2016. Desde que foi forçado a sair da Casa Branca em 2017, ele perdeu parte do prestígio nos EUA e Trump chegou a dizer que o ex-assessor "perdeu a cabeça". 

No ano passado, se concentrou na Europa, onde se aproximou de lideranças de nacionalismo de direita na Itália e na Hungria. Em 2018, ele também se encontrou com o deputado Eduardo Bolsonaro três vezes nos EUA e, agora, começa a olhar para a América do Sul.  Crítico da imprensa, que chama de “partido de oposição”, Bannon recebeu o Estado para uma entrevista em sua casa, atrás da sede da Suprema Corte, em Washington.

O sr. procurou a família Bolsonaro ou eles o procuraram primeiro?

Há gente em Nova York ajudando brasileiros, expatriados, e eles me contataram. Eu já vinha observando Bolsonaro por algum tempo, mesmo na Casa Branca, analisando no que ele acreditava. Acho que no verão de 2017, ele tinha algo perto de 8% nas pesquisas, mas eu olhava de perto porque pensava que é alguém que representa bastante a base do Trump e de outros, no mundo. Em 2018 me encontrei com Eduardo (Bolsonaro) em Nova York. 

O sr. já disse que a capacidade de conexão com o povo é algo comum entre Donald Trump, Matteo Salvini e Jair Bolsonaro. Essa característica já foi atribuída a políticos de centro-esquerda, como Lula no Brasil. O que diferencia esse novo grupo?

É uma boa pergunta. Populismo é o futuro da política, eu acredito, se é conservador e de direita ou se é de esquerda é a questão. A diferença entre populismo de esquerda ou de direita é sobre intervenção do Estado. Mais intervenção do Estado na economia, nas nossas vidas, leva a um completo fracasso. O populismo de direita que foca na classe trabalhadora e classe média é o futuro. O fato de ter Trump, Salvini e Bolsonaro, nos EUA, Europa e América do Sul, mostra que o modelo funciona. Os três se conectam com a classe trabalhadora de uma forma visceral.

É por isso que penso que o capitão Bolsonaro é uma figura histórica agora, não só para o Brasil, mas é emblemático o que pode fazer no restante do mundo.

Qual é o equilíbrio que o sr. defende entre a agenda nacionalista de todos eles e a não intervenção do Estado?

A agenda nacionalista é possível de ser feita sem a intervenção do Estado. Nacionalismo é colocar o seu país primeiro. Nacionalismo não diz que é preciso ter o Estado envolvido nos negócios. No Brasil, especificamente, será uma série de acordos comerciais, de questões de soberania relacionadas à China. 

Então por que se mostrou receoso sobre o ministro da Economia, Paulo Guedes, durante o jantar com Olavo de Carvalho?

Isso acontece em diferentes países, é uma combinação. O seu ministro das finanças veio da Escola de Chicago. O contraponto que Bolsonaro defende, assim como Trump, é: você precisa equilibrar os interesses nacionais versus a pura economia neoliberal, que no primeiro caso se mostrará na infraestrutura no Brasil e como você define quais setores quer privatizar, para quem quer vender. Sempre haverá uma tensão. Você vê a escolha do ministro das Relações Exteriores e do ministro da Economia - é um balanço de como o programa do Bolsonaro é.

O sr. já conversou com Bolsonaro?

Não. Ele está muito ocupado, e está se saindo muito bem. Eu falo com pessoas no entorno dele todo dia. Salvini, Viktor Orban e Bolsonaro representam uma tendência mundial. O experimento no Brasil é comum a algo ao qual dediquei os últimos dez anos da minha vida. Comecei construindo isso nos EUA e, no ano passado, passei muito tempo na Europa. Posso ver no capitão Bolsonaro como pode se espalhar  mundialmente. E ele certamente não precisa do conselho de Steve Bannon para ser bem sucedido.

Se falasse com ele, qual seria sua recomendação como ex-estrategista de Trump?

É muito simples a esses políticos. Você é um populista eleito, foi eleito com apoio popular. Só mantenha as promessas que fez às pessoas e estará bem. Francamente, acho que Trump está numa boa posição. É uma era em que é um problema se você promete uma coisa e não entrega.

O sr. não mencionou Trump quando falou sobre a tendência mundial.

Trump foi o primeiro, obviamente, nos EUA, mas com esses três vemos que é mais do que Trump. A derrota de Hillary Clinton representou uma rejeição da classe trabalhadora ao que chamo de partido de Davos, que é essa elite científica, financeira. Eles têm essa ideia de que podem manipular o mundo em uma base global. Não é uma conspiração, é como o sistema funciona agora. As pessoas diminuíram a importância do discurso de Bolsonaro em Davos, foi um discurso poderoso. Ele trouxe elementos – e acho que isso é parte da tensão, às vezes, com os caras da Escola de Chicago – para dizer que um país é mais do que a economia; um país é a sociedade, a nação e a economia. Ele traz a base do 'Movimento—Bolsonaro',  a defesa dos valores judaico-cristãos. Foi muito poderoso, particularmente em um ambiente como Davos, que é a catedral do globalismo. Ele não vai desistir.

O que o sr. achou do Olavo de Carvalho?

A história vai mostrar que ele é um dos grandes conservadores e filósofos. O que ele faz no Brasil, seus escritos estão cada vez mais conhecidos nesse movimento. Acho que ele será mais e mais conhecido a cada ano, não só para o Brasil, mas para o entendimento desse movimento numa perspectiva mundial.

O sr. mostrou discordância dele em alguns momentos, quando ele explicou seu método de ensino e filosofia.

Sabe, eu não concordo com tudo o que Platão disse, então...Esse é o poder do nosso movimento. Eu não sou um filósofo, sou só alguém que tem interesse nisso e tenta se engajar. Ele é claramente uma figura seminal nesse movimento. Suas ideias se tornarão mais conhecidas, mas ele tem um imenso impacto na vida política brasileira. 

Eduardo Bolsonaro é o líder de “O Movimento” para a América do Sul agora. Esse braço do Movimento já existia ou foi criado após a eleição de Bolsonaro?

Quando o Eduardo veio aos EUA em novembro, ele já tinha agendado uma conferência sobre ideias do 'movimento- Bolsonaro' e como interagem com outros movimentos no mundo. Aquilo para mim é o começo do Movimento na América Latina. Nosso foco imediato é na importância das eleições parlamentares na Europa em maio, mas antecipei com Eduardo que teremos uma grande conferência no verão ou outono na América do Sul, provavelmente no Brasil, trazendo todos os elementos juntos da região. Ele é um dos líderes mais dinâmicos desse movimento, não só no Brasil.

O que o sr. acha que o governo Trump está esperando do governo Bolsonaro?

É uma nova oportunidade ao Brasil para um acordo comercial, avanços na agricultura, claramente há uma grande preocupação com a China. Capitão Bolsonaro ganha uma grande atenção aqui de pessoas interessadas em política por sua personalidade e como ele irá recuperar a economia e focar em segurança ao mesmo tempo. É um novo dia para essa relação. Haverá muito mais ênfase na hegemonia da China (do que nas questões do Oriente Médio) agora. O Brasil é um dos elementos centrais disso, veremos nos próximos cinco ou dez anos que a relação dos EUA com o Brasil estará no primeiro plano e será uma das relações mais importantes.

O sr. falou que Trump está numa boa posição. O que achou do discurso dele sobre o Estado da União neste ano?

No discurso ele fala: 'eu vou construir o muro; no acordo comercial, não é só sobre soja, terei mudanças estruturais na China e; estou saindo da Síria e do Afeganistão'. Essas são as promessas de Trump. É assim que ele ganhou em Ohio, assim que ganhou em Michigan, Wisconsin, Pensilvânia. É isso que o fez presidente dos EUA. Em Washington, todos os três elementos sobre o 'movimento-Trump' estão convergindo num mesmo momento em que essas investigações vêm à tona. Teremos de ver.

Forçar uma reforma estrutural para um acordo com a China não parece fácil.

O Brasil será um dos campos de batalha nisso, porque a China não vê o Brasil por seu capital humano, vamos ser francos. O que eles veem é uma maciça oportunidade de recursos naturais e agricultura. Esse conflito global econômico entre o Ocidente... Lembre, quando Trump diz sobre mudanças estruturais é para trazer a cadeia de fornecimento de volta às democracias industriais. Quando isso acontecer, irá explodir a economia do Brasil, as taxas de crescimento. O tipo d capitalismo que eles fazem no Brasil e na África Subsaariana incentiva as elites,

controla infraestrutura e recursos naturais através da elite, é um capitalismo predatório dos chineses que têm de ser quebrado. Um dos locais-chave para quebrá-lo é o Brasil.

O sr. é citado nas investigações da campanha de Trump, na acusação contra Roger Stone. O que sabe sobre a influência da Rússia nas eleições de 2016?

Primeiro, digo isso desde o primeiro dia, não há conluio. O que o Robert Mueller está procurando é a obstrução de justiça. Stone ou alguém entregou os e-mails ao New York Times, e-mails em que ele está tentando obter minha atenção, o que não conseguiu porque não é algo em que eu estava focado. Não acho que a investigação de Mueller vá chegar à conclusão sobre conluio, acho que irá analisar a obstrução de justiça. O que eu sei é que o presidente Trump não focou na eleição da Câmara em novembro. Pessoas ao redor dele que disseram que não seria tão

ruim o resultado se os democratas conseguissem a maioria estavam absolutamente errados. Com a Nancy Pelosi (presidente da Câmara) no poder eles irão usar como arma o relatório final de Mueller. 

A perda da Câmara será um problema para Trump em 2020?

Será um enorme problema. Eu disse ao vivo no dia da eleição: 2019 será um dos anos mais baixos na política nacional. Acho que será equivalente aos anos anteriores à guerra civil. Você tem dois lados que têm duas diferentes ideias sobre como o país deve ser governado. As pessoas dizem 'a democracia está morrendo na América', mas tivemos a taxa mais alta de comparecimento às urnas em novembro. A democracia está mais robusta do que nunca. E parte disso é porque Trump provocou a esquerda. Essas pessoas jovens como AOC (deputada democrata Alexandria Ocasio-Cortéz) que se tornaram líderes, fizeram as pessoas irem votar. E eu amo a AOC, acho que é uma figura dinâmica no cenário político. Ela é uma bartender. Precisamos de mais bartenders lá. Precisamos nos tornar melhores para derrotá-los, mas acho que 2019 terá não só a investigação de Mueller. O presidente Trump é um bom 'counter puncher' (no box, um lutador que faz contragolpes), mas isso só ficará mais baixo. Será um ano duro. E ele terá de entregar as três promessas que fez no discurso.

Por que diz que é preciso ter mais 'bartenders' como a Alexandria Ocasio-Cortéz?

Seu trabalho anterior já foi de bartender, é um trabalho relativamente mal pago, é difícil, há clientes o tempo todo e você tem de ser rápido. Eu fui um bartender na faculdade e você tem de estar ligado no jogo. Ela tem a habilidade para jogar rapidamente o jogo. Há muito a admirar. As pessoas no Brasil têm de entender: Cortez ganhou porque ela bateu de porta em porta inicialmente e falou com as pessoas nas primárias em que ela concorria com poderosos políticos. E a maioria das pessoas na primeira vez bateu a porta na cara dela e hoje ela é uma das figuras políticas mais poderosas dos EUA. Apesar de eu discordar do seu socialismo, Cortéz mostra valores de determinação, resiliência. Ela se tornou uma figura política muito poderosa de maneira muito rápida.

O sr. classifica o Partido Democrata como socialista?

Eles estão definindo eles mesmos. Estou um pouco chocado com isso. Acho que cinco candidatos presidenciais assinaram a proposta do “Green New Deal”, que é uma versão de socialismo. Pode chamar do que quiser, mas no fim das contas é mais intervenção. Não sou eu dizendo que não há elementos interessantes do 'Green New Deal', mas no geral é o governo tomando a economia. Você também vê (pré-candidatos a 2020) Kamala Harris, Kristen Gillibrand, Cory Booker, Elizabeth Warren e obviamente Bernie Sanders, todo o mantra deles é ligado ao socialismo. É uma radicalização muito rápida do partido democrata. Howard Schultz (ex-CEO da rede Starbucks), que para mim é um liberal progressista, diz – e isso é ele dizendo, não Steve Bannon – que não conseguiria ganhar uma primária democrata porque não é um socialista, é um capitalista, um liberal, um progressista. Michael Bloomberg tem dito às pessoas a mesma coisa. Lembre-se, Bloomberg é pró-aborto, pró-controle de armas e está dizendo para todo mundo que acha que não estará nas primárias democratas. Isso não é Bannon e a direita, Breibart e Fox News. Isso são eles definindo eles mesmos. Eu estou atordoado. 

Mas é algo novo, recente?

Parte disso é reação a Trump. Trump é definido como populista. E eles estiveram tão surtados no início. Eu dizia: se eles querem focar em raça, deixemos. Toda vez que falarem de raça, nós falaremos de economia para a classe trabalhadora. Vamos pegar um terço da classe trabalhadora negra, um terço da classe trabalhadora hispânica e criaremos uma coalizão. O que os democratas estão fazendo é uma reação à vitória de Trump em Michigan, Wisconsin e Ohio e a solução deles é mais intervenção governamental.

O sr. é reconhecido como símbolo da alt-right e apoiador de políticos acusados de xenofobia. Nas suas próprias palavras, em um discurso: “deixe que chamem você de racista, deixe que o chamem de xenófobo...”

Espere, espere. O que eu estava dizendo na França é o que eu acredito, eu disse que Trump fez mais... temos a mais baixa taxa de desemprego de negros, a mais baixa taxa de desemprego de hispânicos. O que falo é: eles não podem argumentar sobre a economia quando você os derrota nisso. Use essas acusações como uma medalha de honra. Se é disso que irão te acusar: xenófobo, racista, isso significa, na minha visão, que estão perdendo o argumento, significa que não querem debater as propostas. Eles nunca mencionam os empregos, porque eles não têm a solução. A solução deles é o socialismo e nós sabemos que não funciona, é sem sentido. Até que eles venham com algo com o qual se possa debater a questão econômica, nós venceremos. Trump irá vencer se continuar atendendo à classe trabalhadora. Dizer que é um racista, xenófobo, para mim, a acusação é uma medalha de honra, mostra que você está ganhando.

O 'Breibart News', que o sr. dirigiu, é considerado um veículo de instigação aos extremos e partidário. Essa é a intenção?

Não acho que é extremo. Podemos ser partidários, mas vivemos tempos partidários. Estamos vivendo em tempos divididos. Você tem de ganhar. Nós ganhamos em 16, perdemos em 18, vamos ver quem ganha em 20, mas estar dividido não acho que seja um problema. As pessoas têm diferentes filosofias e ideias, não acho que temos de estar juntos. É o que digo, admiro a AOC, acho que sua ideologia está errada, mas acho ela uma jogadora importante e irá impulsionar muita gente na direita que irá tentar derrotá-la.

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Como a família Bolsonaro se aproximou de Steve Bannon

Desde que Jair Bolsonaro se consolidou como candidato à Presidência, o ideólogo de uma onda nacionalista conservadora apoia e aconselha a família

Redação, O Estado de S.Paulo

13 de setembro de 2019 | 10h55

As relações entre a família do presidente Jair Bolsonaro, o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, e o ex-estrategista de Donald Trump e agitador de uma onda nacionalista de direita, Steve Bannoncontinuam firmes.

Fora da agenda oficial, o chanceler brasileiro se encontrou com Bannon na noite de quinta-feira, 13, para conversar sobre o discurso do presidente Jair Bolsonaro no próximo dia 24, em Nova York, na abertura da Assembleia-Geral da ONU.

Desde que Bolsonaro se consolidou como candidato favorito à Presidência, Steve Bannon apoia e aconselha os Bolsonaros, e sempre que um deles viaja aos EUA, faz uma visita ou uma consulta a Bannon. 

Ao assumir a Presidência, Bolsonaro buscou reorientar sua política externa e aproximar o Brasil dos EUA de Donald Trump.

A aproximação sempre foi vista com entusiasmo pelos dois lados, e Bolsonaro chegou a ser chamado de "Trump Tropical" pela imprensa internacional em razão de uma política externa semelhante à americana.  

Steve Bannon e Jair Bolsonaro

Em entrevista ao Estado em fevereiro, Steve Bannon avaliou que o futuro da política é o populismo, e Jair Bolsonaro é a chance de se espalhar o movimento de direita pela América do Sul.

Essa impressão levou a aproximação de Bannon com os Bolsonaro e com Ernesto Araújo. A proximidade entre os dois vem desde antes da eleição de Bolsonaro. Gerald Brant, integrante do mercado financeiro de Nova York e responsável por apresentar Bannon à família Bolsonaro

Filho de mãe americana e pai brasileiro, Brant – de uma tradicional família mineira – levou o clã Bolsonaro para um tour entre representantes do movimento nacionalista de direita no país em 2017. Desde então a relação se estreitou.

Em março deste ano, no dia de sua chegada a Washington, o presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, participou de um jantar organizado na residência do embaixador do Brasil nos EUA, Sérgio Amaral, para o que o governo chamou de “formadores de opinião”. 

A lista de convidados incluia integrantes do movimento conservador americano como Steve Bannon, o filósofo Olavo de Carvalho, um ex-diplomata do governo George W. Bush, Roger Noriega, e Gerald Brant, integrante do mercado financeiro de Nova York e responsável por apresentar Bannon à família Bolsonaro. 

A lista de convidados foi elaborada pelo chanceler brasileiro, Ernesto Araújo, e pelo diplomata Nestor Forster, responsável por apresentar Araújo a Olavo de Carvalho. 

Olavo de Carvalho e Steve Bannon

Em janeiro, Steve Bannon se encontrou com o filósofo Olavo de Carvalho na casa do brasileiro, que mora no Estado da Virgínia, nos Estados Unidos. O encontro durou cerca de três horas.

Os dois também se encontraram dias depois em um jantar oferecido pelo ex-estrategista de Donald Trump

pensamento de Olavo de Carvalho, que rejeita o rótulo de “guru” ou “ideólogo” do presidente Jair Bolsonaro, permeia ideias do novo governo.

Eduardo Bolsonaro e Steve Bannon

Em novembro do ano passado, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL) foi um dos convidados a prestigiar a festa de aniversário de Steve Bannon. O jantar, para amigos de Bannon, aconteceu na casa do ex-assessor de Trump, próxima à Suprema Corte dos Estados Unidos, em Washington.

No Twitter e no Instagram, Eduardo Bolsonaro postou uma foto com Bannon, desejando parabéns ao “ícone no combate ao marxismo cultural”. 

Mais de uma vez Steve Bannon comemorou a ideia do presidente Jair Bolsonaro de indicar Eduardo Bolsonaro ao posto de embaixador do Brasil nos Estados Unidos.

“Eduardo pega o Trump e o movimento Trump”, disse Bannon ao Estado, em julho, avaliando como um movimento “muito inteligente” de Bolsonaro a possibilidade de enviar o filho a Washington. “Ele vai chegar ao posto já sabendo os atores, as questões e as oportunidades”, disse Bannon. 

Ernesto Araújo e Steve Bannon

No último episódio desses estreitamento de relações, Bannon foi convidado para um jantar na noite de quinta-feira, 12, com o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, e o atual encarregado de Negócios da Embaixada do Brasil em Washington, o diplomata Nestor Forster.

A reunião não constou na previsão de agenda de Araújo disponibilizada previamente pelo Itamaraty. Questionada pela reportagem do Estado, a assessoria do ministro informou que Araújo tivera um “jantar privado”.

Uma das pautas da conversa dos diplomatas brasileiros com o americano foi o discurso do presidente Jair Bolsonaro no próximo dia 24, em Nova York, na abertura da Assembleia-Geral da ONU.

A estreia de Bolsonaro na reunião dos 193 países-membros que integram a organização acontecerá em meio aos questionamentos internacionais sobre a política ambiental brasileira e da repercussão no exterior do aumento das queimadas na Amazônia neste ano.

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Após ascensão populista na Europa, Bannon elege China como maior rival

Ao ‘Estado’, ex-estrategista de Trump fala sobre planos de montar uma escola para líderes conservadores na Europa e da importância de Bolsonaro para o movimento nacionalista

Beatriz Bulla, CORRESPONDENTE / WASHINGTON , O Estado de S.Paulo

31 de maio de 2019 | 05h00

O livro em cima da mesa de jantar de Steve Bannon dá uma pista. Guerra Irrestrita sugere que países tecnologicamente mais preparados podem perder confrontos militares para nações que manejarem melhor política internacional, guerra econômica e redes digitais. As 212 páginas foram a leitura de fevereiro do ex-estrategista de Donald Trump, que na época preparava as malas para uma de suas viagens à Europa. 

Desde que foi mandado embora da Casa Branca, em 2017, Bannon trabalha como agitador de uma onda nacionalista de direita fora dos EUA, fomentando o que outros conservadores chamam de guerra cultural nos campos ideológico e político. 

O primeiro passo foi a Europa, onde criou o que chama de “Movimento” e posou ao lado de Marine Le Pen, na França, e Matteo Salvini, na Itália – ambos já acusados de xenofobia. Agora, passada a eleição europeia, Bannon elege um novo foco: a China, considerada a “maior ameaça econômica e de segurança nacional que os EUA já enfrentaram”. 

Bannon esteve por trás da eleição de Trump e do site Breibart, de plataforma de extrema direta, anti-imigração e de supremacia branca. Também foi conselheiro da Cambridge Analytica, consultoria acusada de fornecer dados de milhões de usuários do Facebook para prejudicar Hillary Clinton em 2016. 

Escanteado por Trump, Bannon montou base nos últimos meses em suítes de hotéis de luxo na Europa para acompanhar as eleições do Parlamento Europeu e pretende lançar em breve na Itália uma escola para fomentar jovens lideranças que espalhem mundialmente valores “ocidentais judaico-cristãos”, de nacionalismo de direita. 

A real influência do americano fora dos EUA é questionada pela imprensa internacional, que aponta que parte da extrema direita eurocética rejeitou aparecer ao lado dele nos últimos meses. “Sou um colega e amigo de muitos líderes de diferentes partidos, mas não sou um conselheiro formal”, diz o americano, em entrevista ao Estado.

A intenção de Bannon é criar uma onda fisiológica e ideológica, mais do que partidária. E, para isso, vê espaço na Europa, apesar de haver diferentes nuances na direita de cada país europeu. O discurso de Bannon para limitar a entrada de imigrantes encontra eco na extrema direita europeia que tenta acabar com o “governo central de Bruxelas”. A ideia da União Europeia como foi formada contraria um dos pilares do “Movimento”, um populismo nacionalista e descentralizador. 

“Superou minhas expectativas”, disse Bannon sobre a nova composição do Parlamento Europeu, pontuando três vitórias. Para ele, o presidente francês, Emanuel Macron, fez da eleição um “referendo” sobre políticas de imigração e foi “derrotado”. “Além disso, você vê as possibilidades de um supergrupo de Itália, França, Reino Unido, Polônia, todos os populistas, unidos, pessoas com as mesmas ideias, os mesmos conceitos que Jair Bolsonaro”, disse Bannon. “O terceiro ponto é que eleições que sempre foram um show lateral realmente mudaram a política nacional”, afirma.

O avanço dos verdes na eleição europeia é observada por ele de perto. “Vimos nos EUA, em 2018, com a (deputada) Alexandria Ocasio-Cortez”, disse, destacando que é um grupo jovem, energizado e com capacidade de mobilização à esquerda. Bannon não acredita que seja um sinal de limite do populismo de direita, que estaria apenas começando. 

A escola que ele tenta criar já tem sede: um mosteiro do século 13 no topo das montanhas de uma comuna italiana. A “Academia Ocidental Judaico-Cristã” quer atrair financiamento de doadores privados para formar jovens “gladiadores”, como define o americano.

A pauta é religiosa filosófica, voltada ao conservadorismo populista. O parceiro de Bannon é Benjamin Harnwell, um católico que fundou um grupo de lobby religioso. A ideia é começar com cursos curtos de verão, como piloto, para depois lançar programas de especialização. “Estamos fazendo entrevistas com o possível corpo docente”, disse Bannon.

O jornal Financial Times revelou que moradores da região têm protestado contra a instalação da escola e entendem que é preciso levantar uma bandeira antifascista contra radicais. Um dos professores convidados será o escritor brasileiro Olavo de Carvalho, que Bannon conheceu em janeiro e reencontrou em março, com a ida de Bolsonaro a Washington. 

Guerra Irrestrita, livro que ele carregava nos braços, foi escrito em 1999 por dois ex-militares do Exército de Libertação Popular chinês. Nos EUA, a tradução inclui o subtítulo: “O plano da China para destruir a América”. O Brasil, para Bannon, “está no centro dessa guerra econômica”. “Eles (chineses) adorariam comprar o Brasil. Isso não é o povo chinês, eles são trabalhadores, isso são os líderes, os radicais que controlam a China.” 

O americano passa o dia em reuniões, palestras e jantares com integrantes ou interessados no populismo de direita. As telas dos seus celulares (no plural), escondidas embaixo de um guardanapo em cima da mesa, não param de piscar. Quando está em Washington, os primeiros compromissos na “embaixada Breibart”, como chama a casa onde vive, começam antes das 7 horas – e os últimos convidados chegam por volta das 21 horas. 

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Um jantar com Steve Bannon e Olavo de Carvalho

Curioso com governo Bolsonaro, ex-estrategista de Trump e líder de movimento para impulsionar a direita nacionalista no mundo recebe filósofo brasileiro em Washington

Beatriz Bulla, O Estado de S.Paulo

20 de janeiro de 2019 | 16h00

CORRESPONDENTE / WASHINGTON - "Aqui somos totalmente informais", avisou Steve Bannon sentado na ponta da mesa de jantar, enquanto pelo menos cinco funcionários vestidos de preto serviam água e vinho aos presentes e substituíam os pratos de salada pelo menu principal. O convidado de honra do jantar oferecido pelo ex-estrategista de Donald Trump na última sexta-feira à noite, em Washington, era o brasileiro Olavo de Carvalho. Os dois se conheceram um dia antes, em Virgínia, quando o americano decidiu visitar aquele que dá suporte ideológico ao governo de Jair Bolsonaro, do qual é um entusiasta.

Curioso sobre o Brasil, Bannon abriu as portas da "embaixada", como chama a casa em que vive numa rua atrás da Suprema Corte americana a doze convidados. A maior parte era acompanhantes do próprio filósofo. Ele aproveitou que Olavo de Carvalho, que mora a cerca de três horas dali, já estava na capital dos EUA, convidado por integrantes do Departamento de Estado americano para uma conversa "off the records" durante a tarde de sexta.

O grupo de Olavo se mostrava entusiasmado por ter sido recebido no sétimo andar do Departamento de Estado, considerado o das altas autoridades da diplomacia americana. Segundo eles, os americanos concordaram "genuinamente" com o que o filósofo falou. Bannon disse que isso era um sinal de mudança, pois o time de América Latina do Departamento de Estado, durante a administração Obama, era o setor do governo mais "tolerante" com o "marxismo cultural" - a expressão usada por alunos de Olavo de Carvalho.

A aproximação com Olavo já era ensaiada por Bannon há alguns meses, desde que ele se encontrou com o deputado Eduardo Bolsonaro, filho do presidente, ainda no período de campanha eleitoral. Steve Bannon esteve por trás da estratégia de campanha de Trump e retórica nacionalista que ajudou o republicano a chegar à Casa Branca. Nos últimos dois anos, ele tem fomentado líderes e movimentos nacionalistas e de populismo de direita pelo mundo.

O americano tece elogios ao vice-premiê da Itália e ministro do Interior, Matteo Salvini, e ao primeiro-ministro da Hungia, Viktor Orban, faces do novo populismo nacionalista europeu, ambos acusados de xenofobia. Apesar de não ter trabalhado na campanha de Bolsonaro, o estrategista americano não esconde o entusiasmo com o presidente brasileiro. Bannon também integrou o conselho da Cambridge Analytica, a consultoria acusada de acessar e usar indevidamente dados de milhares de usuários do Facebook para disseminar mensagens que ajudaram Trump a se eleger em 2016.

No jantar, Bannon levanta perguntas, como se entrevistasse Olavo de Carvalho. O americano quer saber dos rumos do governo Bolsonaro e transparece preocupação com o quanto o "cara de Chicago" pode atrapalhar o avanço de uma agenda nacionalista no País. O "cara de Chicago" é o ministro da Economia, Paulo Guedes.

Os planos de privatização de Guedes, que é oriundo da escola neoliberal do Departamento de Economia da Universidade de Chicago, vão de encontro a pontos defendidos por Bannon. Uma das fricções é a relação do Brasil com a China, criticada abertamente pelo filósofo brasileiro e por Bolsonaro. O presidente já defendeu em alguns momentos a tese de que os chineses estão "comprando o Brasil". A China também foi assunto do grupo de Olavo no Departamento de Estado americano.

Para falar sobre o Brasil, Olavo de Carvalho se reveza na fala com Gerald Brant, executivo do mercado financeiro em Nova York, responsável pela ponte com Bannon. Brant diz, como alguém que atua no setor, que a Bolsa de Valores tem reagido bem ao governo eleito: "O mercado ama o Bolsonaro".

Bannon rebate: "O mercado financeiro ama o capitão Bolsonaro, mas eles amam mais a Escola de Chicago", e pergunta se Olavo conseguiria exercer influência sobre o ministro da Economia. O filósofo faz sinal negativo com a cabeça.

Ao ouvir que Bolsonaro é um patriota e saber do slogan de governo, "Brasil acima de tudo, Deus acima de todos", Bannon avalia: "Eu amei isso, amei isso".

Influência. Olavo de Carvalho, que rejeita os rótulos de "ideólogo" ou "guru" do governo Bolsonaro, mostra no jantar no jantar a interlocução que tem com o novo governo e escuta quieto quando um de seus filhos ou Gerald Brant falam sobre os cargos no governo federal ocupados por "amigos" ou ex-discípulos do filósofo. Entre eles, o do ministro de Relações Exteriores, Ernesto Araújo. "Ele é um sonho que se tornou realidade", define Brant, ao explicar para Bannon que o ministro vê Trump como um ponto de "salvação" do Ocidente.

Araújo é colocado por Gerald Brant como parte do quarto pilar do governo Bolsonaro: o ideológico, no qual estão também Olavo, os filhos do presidente e o próprio presidente. Os outros três pilares são o econômico, capitaneado por Guedes; o dos militares; e o político, com o ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni.

Eles falam sobre pontos de divergência dentro do governo ao pilar ideológico. O problema, dizem no jantar, é a imprensa, que "tenta criar intriga todos os dias".

Mídia. Bannon já esteve à frente do Breitbart News, um site considerado a voz da ultradireita americana, e critica a imprensa tradicional. Ele não pergunta como é a cobertura jornalística feita no Brasil antes de partir do pressuposto de que a mídia é contra Bolsonaro, e questiona: "É uma questão de ideologia ou é porque vende mais jornal?"

Eles emendam a conversa sobre os "riscos" da chegada da CNN ao Brasil. Nos EUA, o canal é crítico a Trump. Bannon é cético sobre o canal ter apenas licenciado o uso da marca sem aplicar diretrizes da CNN americana. Para o ex-estrategista de Trump, a ida ao Brasil é uma tentativa de conter Bolsonaro. Olavo pondera que Bolsonaro pode se decepcionar com a CNN, indicando que o presidente não vê no novo canal uma ameaça.

Filosofia. A segunda metade do jantar, que durou 2 horas e meia, foi dedicada a conversas sobre filosofia. Bannon quis saber o que Olavo de Carvalho ensina e no que consiste a filosofia do brasileiro. Olavo pediu ajuda aos outros para explicar. Quando toma a palavra, critica o fato de as universidades colocarem “textos acima dos problemas filosóficos”. “Todos esses filósofos para mim são instrumentos para resolver os problemas filosóficos”, diz, e define sua filosofia como “a unidade do conhecimento na unidade da filosofia e vice-versa”. Seu filho e um dos alunos comentam: "Perfeito, isso diz tudo". Silêncio na mesa.

Até que Bannon pergunta mais. O americano quer saber qual o método de aulas de Olavo, qual o tamanho do seu "pelotão" e como o curso avança. O curso avança em espiral, diz Olavo. Bannon insiste que é preciso ter um método para chegar a algum ponto concreto e diz: "É aqui que divergimos". Olavo responde que o método é "a honestidade intelectual", confessar o que se sabe e o que não se sabe.

Um dos alunos, sentado à mesa, diz a Bannon: “Quando você pergunta o método, me faz pensar o que acontecia antes de alguém definir o que era a 'palavra método'. É isso que o professor nos ensina”. O filho de Olavo de Carvalho, do outro lado da mesa, aprova.

O Olavo de Carvalho presente à mesa com Bannon é sereno, sem palavrões ou tom de voz elevado, como já adotou em entrevistas a jornalistas e diz que quer fazer com que seus alunos saibam que são inteligentes e que entendam o que está acontecendo ao redor deles.

Após idas e vindas nas explicações sobre a filosofia de Olavo e duas xícaras de café, Bannon se levanta e se distrai com a chegada de outras pessoas à casa. Às 20h30, o anfitrião anuncia que "Olavo e a família terão uma longa viagem a Virgínia" e, assim, declara encerrado o encontro. Não sem antes, a pedido dos brasileiros, uma sessão de fotos junto ao controverso estrategista de campanha americano.

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Entre jantares e homenagens, Bannon virou assessor informal de família Bolsonaro

Desde que Bolsonaro foi eleito, ex-estrategista de Trump deu andamento a uma aproximação com o governo

Beatriz Bulla, correspondente, O Estado de S.Paulo

20 de agosto de 2020 | 14h41

WASHINGTON - Preso nesta manhã acusado de fraude, Steve Bannon tornou-se uma espécie de assessor político informal da família Bolsonaro. O elo do ex-estrategista de Donald Trump com o governo brasileiro foi estabelecido através do deputado Eduardo Bolsonaro, que passou a frequentar os jantares oferecidos pelo americano em Washington e Nova York. 

Eduardo e Bannon se aproximaram durante a campanha eleitoral de Bolsonaro, por intermédio de Gerald Brant, um brasileiro-americano integrante do mercado financeiro de Nova York.  Desde então, os três se encontram sempre que Eduardo visita a capital dos Estados Unidos e o filho 03 de Bolsonaro foi anunciado por Bannon como representante do "Movimento" na América do Sul.

"Movimento" é como Bannon batizou seu trabalho para fomentar uma onda nacionalista de direita fora dos EUA, depois que foi mandado embora da Casa Branca, em 2017. Ele concentrou os trabalhos desde então na Europa, onde nem sempre foi bem sucedido. A onda estimulada por Bannon criou um terreno favorável para a candidatura de Bolsonaro no plano internacional, apesar de ele afirmar que não teve participação na campanha do brasileiro.

A aproximação, segundo ele, veio depois. Em uma entrevista ao Estadão, Bannon disse que identificou a chance de "espalhar o Movimento" pela América Latina ao conhecer Eduardo -- a quem ele costuma chamar de "rock star". O encontro aconteceu em agosto de 2018. 

Desde que Bolsonaro foi eleito, Bannon deu andamento a uma aproximação com o governo. Em janeiro de 2019, ele fez um bate e volta de três horas de carro de Washington até o sul da Virgínia para conhecer Olavo de Carvalho, ideólogo do bolsonarismo. No dia seguinte, recebeu Olavo e agregados para um jantar na casa onde vive, na First Street, atrás da Suprema Corte americana.

Enquanto garçons trocavam pratos e taças de vinho -- não de Bannon, que não toma bebidas alcoólicas -- ele fazia praticamente uma entrevista com Olavo de Carvalho. O americano queria saber sobre o avanço do nacionalismo no Brasil e eventuais empecilhos a essa agenda.

Fundador do site de ultradireita Breibart, Bannon costuma atacar a imprensa profissional, mas aceitou receber a reportagem do Estadão no jantar. Com frequência, ele manteve interlocuções e deu entrevistas à imprensa brasileira desde então. 

Os sinais enviados ao Brasil de interesse pelo governo Bolsonaro deram resultado. Em fevereiro de 2019, em agenda oficial em Washington, o chanceler Ernesto Araújo visitou Bannon na "Embaixada Breibart", como o americano chama a casa onde vive. No mês seguinte, Bannon foi convidado de honra do primeiro compromisso do presidente Jair Bolsonaro na capital americana: um jantar oferecido na residência da embaixada brasileira para representantes da direita conservadora.

Os lugares na mesa de jantar foram meticulosamente decididos pelo governo brasileiro e Bannon foi colocado ao lado do presidente. A recepção foi feita pelo então embaixador do Brasil nos EUA, Sérgio Amaral, mas a agenda com a direita conservadora havia sido articulada por Araújo e pelo diplomata Nestor Forster, atual responsável pela chancelaria brasileira nos EUA. Enviado por Michel Temer a Washington, Amaral já estava de saída do cargo.

Em uma retribuição prévia ao encontro com Bolsonaro, Bannon reservou uma sala do Trump Hotel, reduto de republicanos endinheirados, para uma homenagem a Olavo de Carvalho feita um dia antes da chegada do presidente brasileiro aos EUA. Cerca de 60 pessoas, entre elas alguns diplomatas brasileiros como Forster, foram à recepção em que Bannon exibiu o filme Jardim das Aflições, sobre a vida de Olavo. Eduardo estava presente, com um boné que tinha um slogan de campanha de Trump adaptado: "Make Brasil Great Again"

Bannon não trabalha por meio de assessoramento formal. Ele passa o dia em reuniões, palestras e jantares com integrantes ou interessados em um populismo de direita. Os primeiros compromissos na "embaixada Breibart"começam antes das 7h e os últimos convidados chegam por volta das 21 horas.

As telas dos seus celulares (no plural), escondidas embaixo de um guardanapo sempre em cima da mesa, não param de piscar. A relação de Bannon com os Bolsonaro também se deu sem vínculos formais.

Autor do livro mais recente sobre Bannon, o pesquisador e especialista em extrema direita Benjamin Teitelbaum afirma que o tradicionalismo, uma doutrina que segundo ele inspira Bannon e Olavo, atua nas sombras. "O tradicionalismo atua nos bastidores, não é conhecido pelas pessoas comuns. Não é como se houvesse um partido político tradicionalista tentando ganhar votos", afirma Teitelbaum. 

A intenção de Bannon é criar ondas fisiológicas e ideológicas, mais do que partidárias. Bannon foi considerado o cérebro por trás de bandeiras trumpistas, como a criação de um muro na fronteira com o México e a briga com a China, além de um estrategista importante nas redes sociais.

Para isso, lança mão de estratégias como a criação do site Breibart, de plataforma de extrema direita, anti-imigração e de supremacia branca. Ele também foi parte do conselho da Cambrigde Analytica, consultoria acusada de usar indevidamente dados de milhares de usuários do Facebook para interferir na eleição americana de 2016. 

No ano passado, o americano carregava consigo o livro Guerra Irrestrita. Escrita em 1999 por dois ex-militares do Exército de Libertação Popular chinês, a obra argumenta que mesmo países tecnologicamente mais preparados podem perder confrontos militares para nações que souberem manejar política internacional, guerra econômica e redes digitais. 

Trocas de jantares e homenagens permearam a relação de Bannon e Eduardo nos últimos dois anos, mas o americano conseguiu elevar a relação e garantir entrada com integrantes oficiais do governo. Em setembro do ano passado, o ex-estrategista de Trump foi novamente convidado para um jantar na embaixada brasileira. Desta vez, o encontro foi articulado nos bastidores, sem anúncio oficial, e para poucos participantes. O chanceler brasileiro, Ernesto Araújo, estava em Washington para compromissos de governo e quis encontrar-se com Bannon. O jantar não constou na agenda do ministro. 

Segundo fontes relataram ao Estadão, um dos temas do encontro foi o discurso que Bolsonaro faria poucos dias depois na Assembleia Geral da ONU. Na estreia no palco da ONU, Bolsonaro fez um discurso no qual reiterou temas caros ao bolsonarismo. Bannon gostou.

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Trump lamenta prisão de Bannon, mas nega envolvimento com projeto investigado

Presidente americano afirma não saber nada sobre a organização de arrecadação de recursos para a construção de um muro na fronteira com o México envolvida no caso investigado por procuradores federais

Redação, O Estado de S.Paulo

20 de agosto de 2020 | 16h50

WASHINGTON - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta quinta-feira, 20, que se sente “muito mal” com a prisão de seu ex-estrategista Steve Bannon, mas afirmou que não sabe nada sobre a organização de arrecadação de recursos para a construção de um muro na fronteira com o México envolvida no caso investigado por procuradores federais.

"Eu me sinto muito mal, muito triste", afirmou o presidente ao ser questionado sobre a detenção em breve entrevista na Casa Branca, antes de se reunir com o primeiro-ministro do Iraque, Mustafa Al-Kadhimi.

Bannon, um arquiteto do populismo nacionalista que definiu a presidência de Trump, foi acusado de fraudar apoiadores de Trump com uma campanha para ajudar a construir um muro na fronteira com o México. “Eu me sinto muito mal. Não trato com ele há muito tempo”, disse Trump.

Bannon é uma das quatro pessoas presas nesta quinta-feira e acusadas de conspirarem para cometer fraude eletrônica e conspirarem para praticar lavagem de dinheiro, em um indiciamento a cargo de procuradores federais de Nova York.

Os procuradores acusaram os envolvidos de fraudar centenas de milhares de doadores por meio de uma campanha de financiamento coletivo de US$ 25 milhões (R$ 138,9) chamada We Build the Wall, disse o Departamento de Justiça. Cada um deles pode pegar até 40 anos de prisão.

“Não sei nada sobre o projeto, só sei que não gostei quando li a respeito dele, não gostei. Eu disse ‘isto é para o governo, não é para particulares’, e me pareceu pura exibição”, disse Trump.

A porta-voz da Casa Branca, Kayleigh McEnany, reiterou que "o presidente Trump não esteve envolvido com Steve Bannon desde a campanha e a primeira parte do mandato, e não conhece as pessoas envolvidas neste projeto"./REUTERS e EFE

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Bannon deixa prisão após juiz conceder liberdade condicional sob fiança de US$ 5 milhões

A justiça também impôs restrições de viagem a ex-estrategista de Trump, que não poderá deixar o país, nem usar aviões ou barcos particulares sem a autorização expressa de um juiz

Redação, O Estado de S.Paulo

20 de agosto de 2020 | 18h23

NOVA YORK - Um juiz de Nova York concedeu liberdade condicional sob uma fiança de US$ 5 milhões (cerca de R$ 27,7 milhões) para Steve Bannon, que se declarou inocente na tarde desta quinta-feira, 20, da acusação de fraudar centenas de milhares de dólares de doadores de um fundo para a construção de um muro na fronteira com o México.

Bannon deixou o tribunal logo depois e falou rapidamente com apoiadores. "Todo esse fiasco é para impedir as pessoas que querem construir o muro", disse ele antes de entrar em um carro.  Considerado o grande estrategista da vitória de Donald Trump em 2016, Bannon foi preso hoje de manhã

A caução, segundo o juiz, deveria ser garantida pelo pagamento de US$ 1,7 milhão em dinheiro ou propriedade pelo acusado ou outros fiadores. A justiça também impôs restrições de viagem a Bannon, que não poderá deixar o país, nem usar aviões ou barcos particulares sem a autorização expressa do juiz, segundo a mídia local.  

Bannon, de 66 anos, está entre as quatro pessoas presas e indiciadas por procuradores federais de Nova York pelos crimes de conspiração para cometer fraude e conspiração para cometer lavagem de dinheiro. Cada um deles pode enfrentar até 40 anos de prisão caso sejam condenados, mas provavelmente conseguirão sentenças bem mais curtas. 

Os procuradores acusam os suspeitos de fraudarem centenas de milhares de doadores em uma campanha de financiamento coletivo para arrecadar US$ 25 milhões chamada Nós Construímos o Muro. Bannon usou centenas de milhares de dólares do dinheiro angariado para cobrir despesas pessoais, de acordo com as acusações. 

Bannon usou uma máscara protetora branca em meio à pandemia de coronavírus e duas camisas de colarinho aberto ao comparecer ao tribunal federal em Nova York, onde seu advogado declarou que ele é inocente. Ele retirou a máscara ao deixar o tribunal. 

Bannon foi preso no Estado de Connecticut por agentes da Procuradoria e do Serviço de Inspeção Postal dos EUA a bordo de um iate de luxo de 150 pés, de acordo com uma fonte da área de segurança. O iate, chamado Lady May, é de propriedade do bilionário chinês foragido Guo Wengui, com quem Bannon tem uma relação de trabalho. 

Voz da extrema direita

O empresário dirigia o site de direita Breitbart News —uma das principais vozes do chamado movimento “alt-right”, a extrema direita americana, que envolve nacionalistas de linha dura, supremacistas brancos, neonazistas e antissemitas— antes de se juntar à campanha de Trump.

Bannon, que é antiglobalista, desde então promove uma variedade de causas e candidatos de direita nos EUA e em outros países, incluindo o Brasil, onde tem ligações principalmente com o deputado Eduardo Bolsonaro, filho do presidente Jair Bolsonaro.

Trump disse a jornalistas na Casa Branca que se sente “muito mal” sobre as acusações, mas buscou se distanciar de Bannon e do suposto esquema. “Eu acho que é um evento triste”, disse Trump. “Eu não lido com ele há anos, literalmente há anos”. 

Trump disse que sabia pouco sobre o projeto. Mas um dos envolvidos, o ex-secretário de Estado do Kansas Kris Kobach, disse em 2019 que Trump havia oferecido seu apoio, de acordo com o New York Times

Bannon é o oitavo colaborador próximo de Trump a ser preso ou condenado por um crime, uma lista que também inclui o ex-diretor de campanha Paul Manafort, o amigo de longa data e conselheiro Roger Stone, o ex-conselheiro de Segurança Nacional Michael Flynn e seu ex-advogado pessoal Michael Cohen

Trump tem tido dificuldades para construir seu muro na fronteira —sua principal promessa de campanha em 2016— diante de obstáculos jurídicos, logísticos e oposição por parte do Congresso. Seu governo havia completado 48 novos quilômetros de cerca na fronteira, e substituído outros 386 quilômetros de barreiras ao longo da fronteira que tem cerca de 3.200 quilômetros, segundo mostram dados do governo. 

Mais de 330 mil apoiadores doaram para angariadores de fundos privados e especuladores que prometeram construir o muro de maneira autônoma, como mostrou uma investigação da agêncai Reuters em 2019. 

O grupo ligado a Bannon construiu duas seções em propriedades particulares nos Estados do Novo México e do Texas, e recebeu críticas de moradores locais que dizem que as licenças apropriadas não foram adquiridas. O trecho no Texas já passou por problemas de erosão, mostrou um relatório no mês passado. /EFE e Reuters 

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