REUTERS/Jeff Mason
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Ex-assessora de Pence diz que votará em Biden por 'desprezo absoluto de Trump pela vida humana'

Assessora para assuntos de segurança nacional, contraterrorismo e covid-19 do vice-presidente, Olivia Troye afirmou que resposta do governo à pandemia custou vidas

Josh Dawsey, The Washington Post, O Estado de S.Paulo

18 de setembro de 2020 | 12h24

A resposta do presidente Donald Trump à pandemia do novo coronavírus mostrou um "desprezo absoluto pela vida humana" porque sua "principal preocupação era a economia e sua reeleição", afirmou uma ex-conselheira sênior da força-tarefa de coronavírus da Casa Branca que deixou o governo em agosto.

Olivia Troye, que trabalhou como assessora de segurança nacional, contraterrorismo e coronavírus do vice-presidente Mike Pence por dois anos, disse que a resposta do governo custou vidas e que ela votará no candidato democrata à presidência, Joe Biden.

"A retórica do presidente e seus ataques contra pessoas em seu governo que tentavam fazer o trabalho, bem como a propagação de narrativas falsas e informações incorretas sobre o vírus tornaram essa resposta um fracasso", disse em entrevista.

Troye se junta a um número crescente de ex-funcionários, incluindo o ex-conselheiro de segurança nacional John Bolton e o ex-secretário de defesa Jim Mattis, que detalham suas preocupações sobre o que aconteceu durante seu tempo no governo ao declarar que Trump é inadequado para ser presidente.

A Casa Branca contestou a versão apresentada pela ex-assessora. "Troye é uma ex-funcionária de carreira do Departamento de Segurança Interna que está descontente com o fato de seu destacamento ter sido interrompido porque ela não era mais capaz de cumprir suas obrigações", afirmou o tenente-general aposentado Keith Kellogg, conselheiro de segurança nacional de Pence, em comunicado.

"Troye reportou-se diretamente a mim, e nenhuma vez durante seu destacamento ela expressou qualquer preocupação a respeito da resposta da administração ao coronavírus. Ao não expressar suas preocupações, ela demonstrou uma incrível falta de coragem moral."

Troye teve uma visão interna da resposta à pandemia e disse em uma entrevista que seria cética em relação a qualquer vacina produzida antes da eleição por temer que seu lançamento se deva a pressões políticas.

"Eu não diria a ninguém que me interessa tomar uma vacina lançada antes das eleições", disse. "Gostaria de ouvir os especialistas e esperaria para ter certeza de que esta vacina é segura e não um suporte vinculado a uma eleição."

A quantidade de críticas que Trump tem enfrentado de ex-assessores não tem precedentes na presidência moderna e pode representar um risco político para sua campanha de reeleição, já que alguns dos assessores que falaram estão pressionando outros ex-colegas a se juntarem a eles.

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