Jose Sanchez Lindao/AFP
Jose Sanchez Lindao/AFP

Ex-banqueiro Lasso enfrentará Arauz no segundo turno no Equador, diz órgão eleitoral

Anúncio oficial do Conselho Nacional Eleitoral define os candidatos para a votação do dia 11 de abril

Redação, O Estado de S.Paulo

21 de fevereiro de 2021 | 18h42

QUITO - O ex-banqueiro de direita Guillermo Lasso ficou em segundo lugar nas últimas eleições presidenciais do Equador e vai disputar com o esquerdista Andrés Arauz - o mais votado nas urnas - o segundo turno em 11 de abril, segundo anúncio oficial do Conselho Nacional Eleitoral (CNE) neste domingo, 21. 

O anúncio oficial dos resultados finalmente determinou quem concorrerá contra Arauz, herdeiro político do ex-presidente Rafael Correa, após uma série de reclamações nas eleições de 7 de fevereiro sobre a disputa pelo segundo lugar. Arauz foi o primeiro com 32,72% dos votos seguido por Lasso com 19,74% e pelo indígena Yaku Pérez com 19,39%, anunciou o secretário do órgão eleitoral, Santiago Vallejo. Pérez diz ter sido alvo de fraude. 

A diferença entre Lasso e Pérez era de apenas 32,6 mil votos, segundo o órgão eleitoral. No entanto, Pérez e seus seguidores não pareciam dispostos a deixar de lado suas reivindicações, considerando que havia irregularidades no processo que eliminavam a possibilidade de o candidato do partido indígena Pachakutik disputar o segundo turno.

“Vamos apresentar a impugnação a milhares de atas" eleitorais, disse Pérez à imprensa neste domingo em Riobamba. Em seguida, ele partiu à frente de uma marcha de indígenas e apoiadores, que planeja chegar a Quito na terça-feira para defender a votação do líder.

A lei estabelece que após a proclamação haja uma fase de contestação dos resultados da eleição presidencial de 7 de fevereiro, da qual participaram 16 candidatos. "Essa resistência continua, no campo legal, jurídico, social e político", declarou Pérez.

Lasso, de 65 anos, do Movimento Creo, afirmou em seu Twitter que "a democracia triunfou" e que "Vamos para o segundo turno com coragem e otimismo! Comigo sempre haverá espaço para um diálogo frontal e sincero que se soma ao objetivo de alcançar o Equador da união".

Pérez reagiu posteriormente na mesma rede social, lembrando que o Conselho Nacional Eleitoral "pode declarar resultados eleitorais fraudulentos, mas os verdadeiros resultados estão no coração dos equatorianos que apoiaram um novo projeto político que reflete os sonhos de um Equador digno e honesto".

A Controladoria do Equador solicitou permissão à CNE para uma auditoria no sistema de informática eleitoral antes da votação para “garantir a necessária transparência, segurança jurídica, legitimidade, uso adequado dos recursos públicos e contribuir para a geração de um ambiente de confiança". 

O Ministério Público também apura supostas irregularidades e comunicou ao órgão eleitoral que fará um exame de seu sistema digital, o que é apoiado por Pérez.

Reclamações à parte, alguns analistas consideram que as perspectivas para o segundo turno não parecem muito claras devido à fragmentação do voto e que a julgar pela vantagem de Arauz para Lasso, o cenário parece mais difícil para o ex-banqueiro.

“Não é só Pachakutik, há outros fatores de peso para o segundo turno, como a Esquerda Democrática (cujo candidato obteve 15,68% dos votos), há também o voto de 13 candidatos que entre todos obtiveram 13% dos votos", explicou Gustavo Isch, analista e professor da Universidade Andina, à agência Associated Press./AP e AFP 

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