Enrique Marcarian/Reuters
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Ex-candidato à presidência Daniel Scioli será o embaixador da Argentina no Brasil, anuncia Fernández

Em reunião com delegação de deputados brasileiros, presidente eleito também confirmou Felipe Solá como chanceler

Redação, O Estado de S.Paulo

05 de dezembro de 2019 | 16h40

BUENOS AIRES - Em uma reunião com uma delegação de deputados brasileiros, o presidente eleito da Argentina, Alberto Fernández, afirmou que o ex-candidato à presidência e empresário Daniel Scioli será o futuro embaixador argentino no Brasil. Ex-vice-presidente da Argentina (2003-2007) e ex-governador da Província de Buenos Aires (2007-2015), Scioli concorreu à presidência em 2015, quando foi derrotado pelo atual presidente Mauricio Macri

No mesmo encontro, Fernández afirmou que Felipe Solá será o seu ministro das Relações Exteriores. A comitiva brasileira foi liderada pelo presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ). 

Fernández disse que a nomeação de Scioli era seu primeiro gesto em relação ao Brasil e tratou o indicado como alguém que ele “valoriza muito”. “Se nos respeitarmos, conviver será mais fácil”, afirmou sobre a relação de Brasil e Argentina. “Temos um destino em comum, temos de cuidar para que nenhuma conjuntura altere nossa relação. O Brasil é um irmão com outro idioma.”

Para o presidente eleito da Argentina, a integração regional é a melhor arma para enfrentar a globalização e ofensivas comerciais, como a feita recentemente pelo presidente americano, Donald Trump, de impor tarifas ao aço do Brasil e da Argentina.

Pesa sobre Scioli a suspeita de ter usado caixa 2 durante sua campanha presidencial de 2015, quando foi derrotado por Macri. O nome do futuro embaixador argentino no Brasil foi citado na denúncia por Juan Manuel Abal Medina, homem forte dos governos de Néstor e Cristina Kirchner. Medina disse à Justiça, em agosto do ano passado, que recebeu dinheiro de empresários para campanhas eleitorais, entre elas a de Scioli. 

Os recursos teriam sido repassados por empresários que prestariam serviços de infraestrutura ao governo. Em 2017, o jornal La Nación publicou reportagem que informava que todas as campanhas eleitorais de 2015 teriam recebido 500 mil pesos da empreiteira brasileira Odebrecht, incluindo a de Scioli. 

Os recursos teriam sido repassados por empresários que prestariam serviços de infraestrutura ao governo. Em 2017, o jornal La Nación publicou reportagem que informava que todas as campanhas eleitorais de 2015 teriam recebido 500 mil pesos da empreiteira brasileira Odebrecht, incluindo a de Scioli. 

A autoridades dos EUA, a Odebrecht confessou que pagou US$ 35 milhões (R$ 147 milhões) em propinas a funcionários argentinos para obter vantagens em contratos de obras públicas durante o kirchnerismo. Promotores investigam o caso.

Na reunião, Fernández enviou uma mensagem ao presidente Jair Bolsonaro, pedindo aos deputados que transmitissem seu “respeito e apreciação” a ele. Fernández e Bolsonaro mantêm uma relação tumultuada. O brasileiro chegou a lamentar o resultado que deu a vitória ao argentino contra Macri, acrescentando que não o cumprimentaria e nem iria à posse.

Bolsonaro também ficou incomodado com uma imagem publicada por Fernández, horas antes da divulgação do resultado que apontava sua vitória, no dia 27 de outubro. Nela, Fernández aparecia fazendo um “L” com a mão, em apoio ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva  (PT), que na época estava preso no âmbito da Operação Lava Jato.

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