Ex-chanceler da ditadura uruguaia é preso

O chanceler da últimaditadura uruguaia, Juan Carlos Blanco, foi detido nesta sexta-feira emrazão de investigações judiciais sobre o desaparecimento, em1976, da professora Elena Quinteros, quando a jovem buscavaasilo na embaixada da Venezuela. O juiz de primeira instância Eduardo Cavalli indiciouBlanco como "co-autor por privação de liberdade"- um delitoinafiançável que prevê uma pena de entre um e cinco anos deprisão. Blanco é a primeira autoridade da ditadura militar, quese prolongou no Uruguai de 1973 a 1985, a ser processado eenviado à prisão pelos tribunais em um caso vinculado aviolações aos direitos humanos. Elena Quinteros foi detida pelos militares logo apósentrar no jardim da embaixada venezuelana, na qual pretendiaobter asilo - o que acabou provocando conflitos entre osfuncionários diplomáticos e seus captores. Em razão do episódio, a Venezuela rompeu relaçõesdiplomáticas com o Uruguai e só as restabeleceu nove anos depois com o retorno da democracia. Quinteros, uma militaante de esquerda então com 26 anos,é um dos mais de 30 cidadãos uruguaios desaparecidos em seupróprio país durante o regime ditatorial, de um total de mais de150, a maioria vitimada em território argentino. O indiciamento de Blanco, chanceler do Uruguai entre1972 e 1976, foi solicitado em fins de maio pela Promotoria,quando o ex-ministro negou perante o juiz ter tido qualquervínculo com as violações aos direitos humanos enquanto esteve àfrente da Chancelaria. O desaparecimento da professora foi um dos casos demaior repercussão internacional devido ao fato de sua prisão terocorrido em uma sede diplomática estrangeira e à incansável lutade sua mãe, María Almeida de Quinteros, falecida em 2001 aos 82anos, para conhecer o paradeiro de sua filha. Blanco foi conduzido hoje à prisão central, que fica nomesmo edifício onde funciona a Chefia de Polícia na capitaluruguaia.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.