Ex-chavistas anunciam adesão a bloco opositor

Decisão de partido que era aliado de Chávez é vista como 'derrota moral' do governo do líder bolivariano

LUIZ RAATZ , ENVIADO ESPECIAL / CARACAS, O Estado de S.Paulo

16 Maio 2012 | 03h02

O partido venezuelano de centro-esquerda Pátria Para Todos (PPT), ex-aliado do presidente Hugo Chávez, deve formalizar hoje sua adesão ao bloco opositor da Mesa de Unidade Democrática (MUD). Apesar de ter sua força política restrita aos Estados de Amazonas e Lara, a decisão do PPT, que se aliou nas últimas eleições regionais ao PSUV e votava com o chavismo na Assembleia Nacional, representa uma "derrota moral" para o governo e tem o valor simbólico de agregar uma legenda de esquerda à aliança antichavista.

Segundo o secretário-geral do PPT, Simón Cazadilla, o pedido, feito na segunda-feira, deve ser aprovado hoje em uma reunião com a executiva da MUD. A legenda tem dois governadores, seis prefeitos e dois deputados na Assembleia Nacional. Seu nome mais conhecido é o governador de Lara, Henri Falcón.

Um dos principais motivos que levaram o PPT, que rompeu com Chávez há mais de um ano, ao bloco opositor é o problema da segurança pública. "Parece que o presidente e o governo não estão preocupados com os venezuelanos afetados pelo grave problema da criminalidade", disse Cazadilla.

Segundo deputados da MUD ouvidos pelo Estado, a aliança opositora deve aprovar a adesão. "A MUD mantém-se aberta à adesão de diversas forças políticas e o PPT é um partido fundamental, com líderes importantes", disse o parlamentar Carlos Guillermo Arocha, do Primero Justicia.

De acordo com o analista político venezuelano Carlos Jiménez, a adesão do PPT pode dar um verniz mais progressista à candidatura de Henrique Capriles Radonski, que disputa a presidência em outubro contra o líder bolivariano. "O PPT representa uma fração da política venezuelana que por muitos anos apoiou Chávez, mas aderiu à oposição", disse. "O apoio do partido, no entanto, não deve se traduzir em votos, mas sim em uma força moral contra Chávez."

Outro tema que deve ser debatido na reunião da MUD hoje é a forma com a qual o bloco deve se apresentar nas eleições de outubro. A maioria dos partidos quer apenas o nome da coligação na cédula, enquanto duas das maiores legendas oposicionistas que formam o bloco - Primero Justicia e Podemos - defendem que todos os partidos estejam descriminados no boleto de votação. Para analistas, a discordância evidencia as diferenças políticas internas do bloco.

Chávez. Desde que regressou de Cuba, onde concluiu a última etapa da radioterapia contra um câncer pélvico, na sexta-feira, o presidente ainda não apareceu em público. Sua única interação com os venezuelanos deu-se por meio de sua conta no Twitter.

Na segunda-feira, a segunda vice-presidente da Assembleia Nacional, Blanca Eckhout, disse não saber quando Chávez reaparecerá em público. Segundo ela, o presidente o fará quando julgar necessário. "Não temos a agenda do presidente, por isso não sei quando ele vai aparecer", disse a deputada do PSUV.

Segundo fontes ouvidas pelo Estado com acesso a interlocutores chavistas, o presidente terá de cumprir um repouso de quatro a cinco semanas após a radioterapia para poder participar da campanha eleitoral.

Sem Chávez, quem tem ocupado o espaço institucional chavista é o chanceler Nicolás Maduro. Na segunda-feira, ele recebeu o ministro de Relações Exteriores do Equador, Ricardo Patiño, e ambos assinaram acordos bilaterais.

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