Shawn Thew / EFE
Shawn Thew / EFE

Ex-chefe de campanha de Trump é condenado a 47 meses de prisão por fraude

Juiz também condena Paul Manafort a pagar uma restituição de US$ 24 milhões no processo relacionado a seu trabalho de assessoria para políticos ucranianos

Redação, O Estado de S.Paulo

07 de março de 2019 | 22h00

WASHINGTON - Paul Manafort, ex-diretor de campanha do presidente Donald Trump, foi condenado nesta quinta-feira a 47 meses de prisão por fraude fiscal e bancária, relacionada a seu trabalho de assessoria para políticos ucranianos, e a pagar uma restituição de US$ 24 milhões.  A sentença foi muito inferior à recomendada pelo Departamento de Justiça, que havia sugerido uma pena de entre 19 e 24 anos de prisão. 

Manafort, que completa 70 anos em abril, foi condenado por um júri em agosto em um processo que correu em Alexandria, no Estado da Virgínia, e atraiu muita atenção da mídia. Este processo não tem relação com as atividades que desempenhou durante a campanha de 2016. Sua pena pela segunda condenação sobre o caso de fraude será anunciada no dia 13.

Dono de gostos extravagantes que foram revelados durante o julgamento – ele gastou US$ 15 mil em uma jaqueta de couro de avestruz –, Manafort apareceu em uma das audiências em uma cadeira de rodas vestindo macacão de presidiário. Seus advogados explicaram que ele sofre de gota e está atormentado pelo “remorso”, então pediram clemência no processo.

O caso de fraude contra Manafort surgiu da investigação realizada pelo promotor especial Robert Mueller sobre um possível conluio entre a equipe de campanha de Trump e a Rússia nas eleições presidenciais de 2016.

Em uma dura mensagem, o gabinete de Mueller enfatizou a seriedade dos crimes cometidos por Manafort e o fato de que ele, repetida e deliberadamente, violou a lei, e pediu uma sentença exemplar para o réu.

Durante a investigação sobre a interferência da Rússia nas eleições, Mueller se interessou pelo papel de Manafort, que liderou a campanha de Trump por dois meses e também tinha ligações com ucranianos vinculados a Moscou.

Durante a investigação, o ex-chefe do FBI descobriu provas de fraudes financeiras anteriores a 2016, entre elas a omissão à Receita de mais de US$ 55 milhões distribuídos em mais de 30 contas no exterior. 

Mueller também demonstrou que Manafort escondeu suas atividades de consultoria para o ex-presidente ucraniano Viktor Yanukovich, apoiado por Moscou, o que constitui uma infração às legislações sobre grupos de pressão. 

Esta parte do processo é alvo de uma investigação separada ante um tribunal federal de Washington. Ele também enfrenta outro processo vinculado à investigação sobre a suposta ingerência russa nas eleições e por ter mentido aos promotores, apesar de ter fechado um acordo de cooperação.

Manafort aceitou se declarar culpado e cooperar com Mueller na esperança de obter uma redução de pena, mas, segundo a justiça, ele não cumpriu com o prometido e continuou mentindo aos investigadores, em especial sobre seus vínculos com um antigo sócio chamado Konstantin Kilimnik que, segundo os Estados Unidos, é suspeito de estar ligado aos serviços de inteligência russos. / AFP e REUTERS

 

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