Shawn Thew / EFE
Shawn Thew / EFE

Ex-chefe de campanha de Trump é condenado a mais 43 meses de prisão

Paul Manafort teve a pena ampliada para 90 meses - equivalente a 7 anos e meio -, quase o dobro de sua condenação inicial de 47 meses; para juíza, ele 'não mostrou arrependimento e mentiu diversas vezes durante o processo'

Redação, O Estado de S.Paulo

13 de março de 2019 | 13h57

WASHINGTON - Um juiz federal condenou nesta quarta-feira o ex-diretor da campanha de Donald Trump à Casa Branca, Paul Manafort, a 73 meses de prisão, por duas acusações de conspiração decorrentes da investigação do procurador-especial Robert Mueller sobre o papel da Rússia na eleição presidencial de 2016.

"O acusado não é o inimigo público número um, tampouco uma vítima", disse a juíza federal Amy Berman Jackson ao anunciar a sentença. Segundo ela, o ex-lobista do Partido Republicano não mostrou arrependimento e mentiu diversas vezes durante o processo.

Manafort foi considerado culpado de dois crimes de conspiração, que já tinha admitido em um tribunal: conspiração contra os Estados Unidos, por não se ter registrado como lobista estrangeiro, a favor de um partido ucraniano pró-Rússia, e conspiração para obstruir a Justiça, por tentativa de manipulação de testemunhas.

Na audiência de hoje, Manafort pediu desculpas por suas ações e pediu leniência. Na semana passada, um juiz federal na Virgínia condenou o consultor político republicano a 47 meses de prisão — pena inesperadamente leve — por fraude fiscal e bancária em um caso separado de Mueller. Segundo a juíza distrital Amy Berman Jackson, 30 dos meses da nova sentença serão executados simultaneamente com a pena da semana passada.

Após Manafort dizer que sentia muito por suas ações, a juíza Jackson respondeu que sua manifestação de arrependimento soava vazia. Jackson disse a Manafort que ele havia mentido e cometido fraudes por diversas vezes, e que não havia uma boa explicação para a indulgência que pedia. "Dizer 'me desculpe, eu fui pego' não inspira clemência", disse Jackson a Manafort, que foi levado para a sala de audiência em uma cadeira de rodas, por sofrer de gota.

"Sinto muito pelo que fiz e por todas as atividades que nos levaram até aqui hoje" disse Manafort a Jackson. "Este caso já tirou tudo de mim. Minhas propriedades, meu dinheiro, meu seguro de vida, poupança para meus filhos e netos, e ainda mais". 

"A insistência do réu de que nada disso deveria estar acontecendo com ele é apenas mais uma atitude que é inconsistente com a noção de qualquer aceitação genuína de responsabilidade", disse ela a Manafort. Jackson disse no início da audiência de condenação que não seria influenciada pela sentença da última quinta-feira, na qual Manafort foi condenado por fraude bancária, fraude fiscal e por não divulgar contas bancárias no exterior.

A sentença de 47 meses foi 20 anos inferior ao limite máximo das diretrizes federais de condenação, o que provocou críticas entre alguns especialistas legais de que era muito leve. Durante a audiência de quarta-feira, Jackson decidiu que Manafort deveria ter uma sentença mais dura porque ele agiu em um papel de liderança, orientando outros a participarem de um crime. Mas Jackson disse que Manafort deve receber crédito por aceitar a responsabilidade porque se declarou culpado da conduta em questão, embora mais tarde tenha violado seu acordo de cooperação com promotores.

A equipe de Mueller não fez uma recomendação específica sobre a sentença de Manafort no caso de Washington. Mas o promotor Andrew Weissmann disse durante a audiência que Manafort havia tomado parte em um vasto esquema de ocultação que enganou o governo dos EUA e o público americano, e continuou a tentar minar a investigação mesmo depois que ele se declarou culpado.

A sentença de Jackson pode marcar o fim de uma batalha legal de dois anos entre Manafort, veterano político republicano que trabalhou para a campanha de Trump por cinco meses em 2016, e Mueller, que expôs o lobby clandestino de Manafort por políticos pró-Kremlin na Ucrânia.

Os advogados de Manafort notaram que nenhuma das acusações de Mueller contra ele estava relacionada ao mandato principal do investigador, isto é, o conluio entre a Rússia e a campanha de Trump.

"Exceto por um curto período como gerente de campanha em uma eleição presidencial, não acho que estaríamos aqui hoje", disse Kevin Downing, advogado de Manafort, a Jackson, pedindo que ela levasse em conta a cobertura da mídia sobre o caso.

Inicialmente, Trump não havia descartado conceder perdão presidencial a Manafort, e depois da sentença da semana passada, pediu desculpas para seu antigo assessor. Mas após a setença sair nesta quarta, ele desmentiu ter pensado em perdoar o ex-chefe de campanha e disse "se sentir mal" por ele. "Não pensei por um minuto. Não é algo que esteja em minha mente. Sinto por ele, é o que posso dizer", disse o presidente americano.

Um perdão não poderia, no entanto, acabar com os problemas legais de Manafort. O escritório do promotor público de Manhattan está processando criminalmente Manafort, disse uma pessoa a par do assunto à Reuters no mês passado. As acusações, que se originam de impostos estaduais não pagos, não poderiam ser anuladas por um perdão presidencial.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.