Shawn Thew / EFE
Shawn Thew / EFE

Ex-chefe de campanha de Trump se encontrou com Assange na embaixada do Equador

Paul Manafort, que teve acordo de delação cancelado por mentir ao FBI, se reuniu com fundador do WikiLeaks antes de o grupo divulgar emails de Hillary Clinton nas eleições de 2016

O Estado de S.Paulo

27 Novembro 2018 | 13h29

O jornal britânico The Guardian revelou nesta terça-feira, 27, que o ex-chefe de campanha do presidente americano Donald Trump, Paul Manafort, se reuniu com o o fundador do WikiLeaks, Julian Assange, na Embaixada do Equador em Londres meses antes de o grupo divulgar e-mails do Comitê Nacional Democrata sobre a candidatura da ex-secretária de Estado Hillary Clinton à presidência americana. 

Manafort é tido como uma testemunha-chave na investigação especial do FBI sobre a interferência russa na eleição americana de 2016. Na terça-feira, o procurador especial Robert Mueller pediu à Justiça americana que cancele o acordo de delação premiada feito com ele depois de ele ter mentido aos investigadores

A equipe de Mueller acredita que a agência de inteligência militar russa, a GRU, invadiu os servidores do Partido Democrata para hackear os emails em março de 2016. Segundo o Guardian, Manafort visitou Assange na embaixada no mesmo mês e já havia se encontrado com o australiano em duas oportunidades anteriores, em 2013 e 2015. 

Manafort trabalhou por anos como lobista do ex-presidente ucraniano Viktor Yanukovich, um político pró-Kremlin derrubado do poder  na Ucrânia em 2014 durante uma onda de protestos pró-Ocidente. Ele se juntou à campanha de Trump também em março de 2016. 

Manafort nega envolvimento com o roubo dos emails do Comitê Democrata, apontado por Hillary como uma das razões para sua derrota para Trump no colégio eleitoral, em novembro daquele ano. Seus advogados não se pronunciaram sobre a reportagem. 

Segundo o Guardian,  documentos da agência de inteligência equatoriana Senain indicam que Manafort visitou a embaixada junto com “alguns russos”. Ele não foi registrado na embaixada, como é praxe. Os emails do DNC foram divulgados pelo WikiLeaks em julho de 2016. 

À época da visita, o Equador era governado pelo presidente Rafael Correa, aliado do governo russo, que abrigou Assange na embaixada em 2012 depois de ele fugir de pedidos de extradição para os Estados Unidos feitos após ele divulgar documentos sigilosos do Departamento de Estado em 2010.

Correa deixou o cargo em 2017 e foi substituído por Lenín Moreno. No cargo, Moreno rompeu com o padrinho político no mesmo ano e deu início a uma série de reformas liberalizantes no país e se afastou de antigos aliados, como a Rússia e a Venezuela. Hoje, a Justiça equatoriana acusa Correa de corrupção.    

A conexão entre Manafort e Assange deve ser alvo do escrutínio de Mueller, que tem investigado possíveis contatos entre o WikiLeaks e assessores de Trump, entre eles o lobista Roger Stone e o filho do presidente, Donald Trump Jr.

A principal dúvida é se a campanha tinha conhecimento do roubo de dados do Partido Democrata e se o incentivou. Trump nega qualquer conluio com os russos. Durante a campanha, ele disse num discurso: “Espero que a Rússia ache mais emails (da campanha de Hillary).”, depois de a primeira leva de documentos ter sido divulgada pelo WikiLeaks. 

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