Ex-chefe de Chongqing poderá se livrar de processo de corrupção

Análise: Cláudia Trevisan

O Estado de S.Paulo

08 de agosto de 2012 | 03h01

A suspeita de crimes econômicos foi ignorada na acusação contra Gu Kailai, uma indicação de que seu marido, Bo Xilai, poderá se livrar de um processo por corrupção e ser investigado apenas por questões disciplinares. Se essa possibilidade se confirmar, Bo escapará da prisão e terá seu destino decidido de maneira secreta pelo PC chinês. A punição máxima seria a expulsão do partido.

Bo era um dos 25 integrantes do Politburo e forte candidato a ocupar uma das nove cadeiras do Comitê Permanente do Politburo, a instância máxima de poder da China. Os nomes serão escolhidos em congresso que deverá ocorrer em outubro. Filho do herói revolucionário Bo Yibo, o ex-chefe de Chongqing, ele continua a ter o suporte de grupos importantes dentro do PC, de cujo apoio o presidente chinês, Hu Jintao, vai precisar para emplacar aliados entre os futuros dirigentes.

Visto pela última vez em março, Bo pode ser beneficiado pela obsessão de Pequim em manter a estabilidade política e a imagem de unidade no período que antecede a sucessão, que ocorre a cada dez anos. Para o advogado Li Fangping, o governo central quer simplificar o caso. "As autoridades querem levar a opinião pública a tratar o assunto como um crime comum e não como o resultado de corrupção ou de conflitos internos do partido", avaliou. Para o analista político Willy Lam, o destino de Bo será decidido por critérios políticos e não legais.

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