AFP PHOTO / MENAHEM KAHANA
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Ex-chefe de gabinete testemunhará contra Netanyahu em casos de suborno

Air Harow será testemunha de acusação do Estado em casos nos quais o premiê israelense é suspeito dos crimes de suborno, fraude e violação de confiança

O Estado de S.Paulo

04 Agosto 2017 | 15h31

JERUSALÉM - O ex-chefe de gabinete do primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, aceitou testemunhar contra ele em dois processos nos quais o líder israelense é suspeito de aceitar suborno, segundo documentos de uma corte do país.

A decisão de Ari Harow de virar testemunha da acusação do Estado é parte do acordo que ele negociou em razão de crimes sobre os quais foi acusado, mas acrescenta uma nova dimensão a outra longa investigação envolvendo Netanyahu.

O primeiro-ministro nega qualquer irregularidade. O porta-voz da família disse que Netanyahu manteria sua versão do que descreveu como uma "caça às bruxas" com objetivo de tirá-lo do cargo.

Em um vídeo publicano no Facebook, Netanyahu tentou minimizar os acontecimentos desta sexta-feira, qualificados por ele como "o inevitável escândalo da semana". "Quero dizer a todos vocês, cidadãos de Israel, que não ouço ruídos. Eu continuo trabalhando para vocês."

O premiê, de 67 anos, foi recentemente interrogado pela polícia em dois casos: um que analisa presentes que ele e sua família teriam recebidos de empresários e outro sobre conversas que ele teve com o editor de um jornal israelense para tentar obter uma cobertura mais favorável deste veículo de imprensa.

De acordo com uma liminar judicial, os casos envolvem suspeitas de crimes de suborno, fraude e violação de confiança. O documento não especifica, no entanto, quem deve ser acusado por estes atos ilegais.

Harow foi chefe de gabinete de Netanyahu em duas ocasiões antes de se demitir em 2015, em meio a alegações de que teria conduzido negócios privados de forma imprópria. O documento do tribunal confirmou que ele testemunhará pelo Estado, mas não deixou claro sobre o que ele falará.

Como parte do acordo negociado em razão de seus próprios crimes, Harow concordou em admitir ter praticado fraudes e violações de confiança. Ele será sentenciado a seis meses de prisão, que serão convertidos em serviços comunitários, e terá de pagar uma multa de 700 mil shekels (R$ 601 mil).

Mesmo que seja eventualmente indiciado, Netanyahu não é obrigado pela lei israelense a renunciar - seus adversários, no entanto, o pressionam para que deixe o cargo. / REUTERS e AFP

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