EFE/ALEXANDRA BLANCO
EFE/ALEXANDRA BLANCO

Ex-chefe de inteligência de Hugo Chávez é preso a pedido dos EUA

Recentemente, general Hugo Carvajal se voltou contra o regime bolivariano e denunciou a 'desastrosa realidade' da Venezuela após seis anos de presidência de Nicolás Maduro 

Redação, O Estado de S.Paulo

12 de abril de 2019 | 16h45

MADRI - O general venezuelano Hugo Carvajal, ex-diretor de inteligência militar durante o governo de Hugo Chávez (1999-2013), foi preso nesta sexta-feira, 12 em Madri a pedido dos Estados Unidos, que o buscavam por tráfico de drogas, disseram fontes policiais à agência France-Presse.

Recentemente, o general se voltou contra o regime bolivariano e denunciou a "desastrosa realidade" da Venezuela após seis anos de presidência de Nicolás Maduro

No dia 21 de fevereiro, Hugo Carvajal, que é deputado pelo Partido Socialista Unido da Venezuela, postou um vídeo em sua conta no Twitter no qual reconhece como presidente venezuelano o líder da oposição Juan Guaidó.

Narcotráfico

Em resposta, Maduro o expulsou das Forças Armadas e o despojou do posto de Major-General, como fez com o até então general da divisão Carlos Rotondaro, que também havia reconhecido Guaidó.

Carvajal também foi acusado na Venezuela de "atos de traição contra a pátria". De acordo com a resolução publicada no Diário Oficial de 20 de março, considerada uma medida "exemplar" e "disciplinar". 

A ruptura de alguém tão ligado ao regime acrescentou uma pressão inesperada ao presidente, como escreveu o New York Times em fevereiro. As acusações de Carvajal nos EUA adicionam novos fatos ao drama que se desdobra: a disposição de fornecer provas criminais contra Maduro, caso ele caia. A oposição no país vem afirmando, por anos, que o círculo de pessoas próximas do presidente tem ligações com narcotraficantes e milicianos. 

Carvajal deixou o serviço de inteligência em 2012, depois de ter servido quase dez anos ao chavismo. Em entrevista ao Times em fevereiro, ele esmiuçou os bastidores de um governo cuja alta cúpula está envolvida com o narcotráfico e corrupção. Entre os acusados estavam Néstor Reverol, ministro do Interior, Tareck El Aissami, ex-vice-presidente.

Na condição de ex-czar antidrogas de Chávez, Carvajal disse que os chavistas incumbidos de combater o narcotráfico eram aqueles que traficavam as drogas. Muitos nomes conhecidos em Caracas são investigados pelos EUA – incluindo o de Carvajal, que escapou da extradição em 2014, quando foi preso em Aruba sob acusação de narcotráfico. 

Sanções

Naquele ano, Carvajal foi alvo de sanções do Departamento do Tesouro americano, que nesta sexta-feira anunciou um novo pacote de penalidades para pressionar a Venezuela. Dessa vez, os alvos foram quatro empresas e nove barcos, alguns dos quais transportavam petróleo venezuelano para Cuba. 

"Vamos continuar apontando contra as empresas que transportem petróleo venezuelano para Cuba, já que estão se beneficiando da pilhagem do regime de (Nicolás) Maduro aos recursos naturais", disse o Departamento do Tesouro em comunicado.

No dia 5, os Estados Unidos impuseram sanções ao petróleo exportado da Venezuela para Cuba. Ao menos 34 embarcações, responsáveis pelo envio de petróleo entre os dois países, e duas empresas tiveram os bens nos Estados Unidos confiscados pelo Departamento do Tesouro. Entre as empresas que trabalham com a entrega de petróleo venezuelano aos cubanos, uma é a liberiana Ballito Shipping Incorporated. A outra é a grega ProPer In Management Incorporated. Os cargueiros, em sua maioria, pertencem à estatal petrolífera PDVSA. / AFP e NYT


  

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