Ex-chefe de inteligência do presidente colombiano é detido

O ex-chefe de inteligência do presidente colombiano, Alvaro Uribe, foi detido nesta quinta-feira por ordem da Procuradoria, que investiga sua aparente colaboração com grupo paramilitares de extrema direita.Jorge Noguera, que foi diretor do Departamento Administrativo de Segurança (DAS) de 2002 a 2005, foi notificado de sua detenção durante um interrogatório na Procuradoria, informou seu advogado, Orlando Perdomo.Uma fonte da Procuradoria disse que Noguera era interrogado sobre uma "lista negra" de sindicalistas e ativistas dos direitos humanos que teria sido entregue a paramilitares aparentemente para serem executados.De acordo com Perdomo, a detenção de seu cliente foi determinada pela promotoria sob acusações de conspiração para delinqüir e homicídios graves. Caso seja condenado, Noguera poderá pegar até 25 anos de prisão.A Corte Suprema e a Promotoria investigam supostos vínculos entre políticos e os grupos paramilitares. Atualmente, oito congressistas aliados do presidente, incluindo o irmão de María Consuelo Araujo, que esta semana renunciou do cargo de chanceler devido a este escândalo.Noguera, que foi chefe da campanha eleitoral de 2002 do presidente Uribe no departamento (Estado) de Magdalena, teria beneficiado com informações internas do DAS chefes paramilitares, como Rodrigo Tovar Pupo, conhecido como "Jorge 40", que dominou vastas áreas do norte do país.Em outubro de 2005, Noguera renunciou do DAS depois de ter sido acusado de tentar estabelecer uma agência interna que ofereceria informações de inteligência a paramilitares. Uribe o defendeu e o nomeou cônsul em Milão.Os grupos paramilitares surgiram na década de 80 com apoio de fazendeiros que queriam se defender das guerrilhas de esquerda, mas desviaram seu objetivo para se dedicarem ao narcotráfico. A partir de então, cometeram graves abusos contra civis e influenciaram o poder nos governos do norte do país.Um processo de paz empreendido por Uribe desde 2003 permitiu a desmobilização de mais de 31.000 combatentes destas organizações.

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