Ex-chefe do Exército da Turquia é preso em Istambul

O ex-chefe do Exército da Turquia Ilker Basbug foi preso nesta sexta-feira, suspeito de ser o mentor de um plano para derrubar o governo de orientação islâmica do país, informou a agência estatal de notícias Anatólia. Um advogado de Basbug, Ilkay Sezer, disse à agência que o ex-chefe militar teve a prisão preventiva decretada, acusado de pertencer a um grupo terrorista e tentar derrubar o governo. Segundo uma nota publicada na Anatólia, Basbug "foi enviado à prisão sob acusações de liderar uma organização e tentar abolir a República da Turquia usando a força".

AE, Agência Estado

06 de janeiro de 2012 | 16h52

Basbug, que algumas horas antes havia dado depoimento a um tribunal em Istambul sobre a suposta conspiração, negou as acusações, que definiu como "tragicômicas". Ele foi enviado à prisão de Selivri, em Istambul. Basbug disse jornal turco Hurriyet que foi acusado "por publicar dois ou três comunicados. Isso tudo é muito amargo".

É a autoridade militar mais alta do país a ser detida em uma série de investigações sobre supostos planos para derrubar o governo. A acusação é a de que os militares financiaram dezenas de sites para criticar o governo do primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan, em 2009. Alguns dos suspeitos já foram acusados no caso, entre eles graduados generais e almirantes. Jornalistas, advogados e professores universitários também foram detidos. Basbug, que passou à reforma em 2010, comandava os militares na época.

Os militares turcos, que comandam um dos maiores exércitos dos Bálcãs e do Oriente Médio, com uma força de 515 mil soldados, se consideram guardiães do secularismo no país e desfecharam três golpes de Estado na história recente da Turquia, em 1960, 1971 e 1980. Eles também forçaram um premiê de orientação islâmica e renunciar em 1997. O governista Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AK Partis, em turco) venceu três eleições seguidas, reduzindo nos últimos anos o poder político dos militares.

"Eu acredito que a detenção de Basbug terá um impacto catastrófico sobre os militares a médio prazo", disse Nihat Ali Ozcan, analista de segurança no think tank Tepav, em Ancara. "No fronte político, a prisão de Basbug irá acelerar a polarização entre os que defendem a democracia com vários partidos e os que apoiam o autoritarismo sob um regime de partido único", disse Ozcan. Partidos da oposição também criticaram a prisão de Basbug.

As informações são da Associated Press e da Dow Jones.

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