Mike Segar/Reuters
Mike Segar/Reuters

Ex-chefe do FMI deixa presídio de NY

Juiz autoriza Strauss-Kahn, acusado de crime sexual, a permanecer em prisão domiciliar após francês pagar US$ 1 milhão de fiança

Gustavo Chacra, O Estado de S.Paulo

21 de maio de 2011 | 00h00

O ex-diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, acusado de estupro, deixou a prisão ontem depois do pagamento de uma fiança de US$ 1 milhão. Ele seria levado a um local indeterminado de Nova York, onde ficaria provisoriamente até arranjar um imóvel para permanecer em prisão domiciliar enquanto responde ao processo judicial.

A mulher dele, a jornalista Ann Sinclair, chegou a alugar dois apartamentos em um sofisticado prédio do Upper East Side, considerado o bairro mais caro de Nova York, próximo ao Central Park. O valor do aluguel é de US$ 14 mil mensais. Mas os moradores do edifício rejeitaram a mudança de Strauss-Kahn para o condomínio, dizendo que a presença do francês seria inconveniente e afetaria a intimidade deles.

O mais provável, segundo se especulava, era que Strauss-Kahn fosse levado para as instalações da empresa de segurança que será responsável pela vigilância dele durante a prisão domiciliar. Havia também os rumores de que ele seria levado provisoriamente ao Hotel Bristol.

O diretor do FMI será vigiado 24 horas por seguranças armados para que não tente escapar. Também deve ser instalada uma tornozeleira eletrônica, com GPS, para monitorar seus movimentos. O custo de todo o procedimento foi estimado em US$ 200 mil e precisará ser arcado pelo próprio economista.

Até ontem, Strauss-Kahn estava detido na penitenciária de Rikers Island, em Nova York, em uma cela de 12 m². A polícia ainda tentava organizar a logística de sua transferência para a prisão domiciliar sem que a imprensa conseguisse descobrir o horário ou o percurso até o local. Não ficaram claro os motivos de o ex-diretor-gerente do FMI não ter sido transferido para o apartamento de sua filha Camille, que vive em Manhattan, onde estuda Ciência Política.

Tanto a mulher quanto a filha de Strauss-Kahn, de 62 anos, dizem acreditar na inocência do economista, que renunciou na quarta-feira ao seu cargo no FMI. Antes do escândalo, ele liderava as pesquisas para as eleições presidenciais da França marcadas para o ano que vem, à frente do atual presidente, Nicolas Sarkozy.

No sábado, quando já estava dentro de um avião que decolaria de Nova York para Paris, o economista foi preso por autoridades americanas. Ele foi acusado de tentar estuprar uma camareira em um hotel na região da Times Square. A vítima é uma imigrante da Guiné que vive no bairro do Bronx.

A próxima audiência a respeito do caso será realizada no dia 6 e a previsão é que seu julgamento leve em mais de seis meses.

Processo. Caso seja considerado culpado das acusações de ataque sexual, Strauss-Kahn poderá ser condenado a até 74 anos de prisão. O ex-diretor do FMI nega que tenha tentado estuprar a camareira. Algumas versões dizem que a argumentação da defesa alegará que houve uma relação consensual. Outras dizem que qualquer contato será negado.

No passado, o economista esteve envolvido em outros escândalos sexuais.

A promotoria americana lamentou a fiança concedida a Strauss-Kahn, argumentando que ele já havia tentado fugir. O episódio do diretor de cinema Roman Polanski, que foi para a França depois de ser condenado por pedofilia, foi lembrado na argumentação.

A defesa nega que Strauss-Kahn tenha tentado escapar, afirmando que a viagem de seu cliente estava marcada havia dias e o próprio economista ligou para o hotel dizendo que esqueceu o celular no quarto. Graças a essa chamada foi possível localizá-lo no avião da Air France no Aeroporto John F. Kennedy.

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