Ex-chefe militar de Ruanda se declara inocente de genocídio

O major-general Agustin Bizimungu, que ocupava o cargo de comandante das Forças Armadas de Ruanda durante o genocídio de 1994, declarou-se inocente, hoje, diante de um tribunal das Nações Unidas. Ele é acusado de participação na morte de pelo menos meio milhão de pessoas. Bizimungo, de 50 anos, apresentou sua declaração ao Tribunal Criminal Internacional para Ruanda depois de escutar as acusações de genocídio, conspiração para cometer genocídio, crimes contra a humanidade e violações. Não foi fixada data para o processo. Os promotores acusam Bizimungu, de etnia hutu, de ter participado pessoalmente no planejamento e na execução do genocídio. Ele é apresentado, em sua qualidade de chefe do Exército, como responsável pela conduta de seus subordinados. A promotoria também acusa o general de formar e armar os milicianos hutus que realizaram a maior parte das matanças iniciadas em 7 de abril de 1994, um dia depois que o avião do presidente Jovenal Habyarimana foi derrubado enquanto regressava da vizinha Tanzânia. Bizimungu fugiu para o exílio, primeiro para a Europa e depois para o Zaire (agora Congo), depois que os rebeldes tutsis da Frente Patriótica de Ruanda derrubaram o governo extremista hutu e tomaram o poder em julho de 1994. Durante sua estadia no Congo, Bizimungu formou o rebelde Exército para a Libertação de Ruanda, que tentou tomar o poder em seu país em 1997, 98 e no ano passado. Ele foi capturado em Angola e levado ao tribunal da ONU em Arusha (Tanzânia) no último dia 14.

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