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Ex-chefe militar turco é condenado à prisão perpétua por tramar golpe

Decisão da Justiça turca provocou protestos de opositores de governo de Erdogan

O Estado de S. Paulo,

05 de agosto de 2013 | 10h24

ISTAMBUL - Um tribunal turco sentenciou nesta segunda-feira, 5, o ex-comandante militar Ilker Basbug à prisão perpétua por tramar contra o governo, e dezenas de outros réus a longas penas de prisão. Basbug, ex-chefe do Estado-Maior, foi condenado por participar da conspiração que ficou conhecida como "Ergenekon", com o objetivo de derrubar o governo do primeiro-ministro Tayyip Erdogan. O processo, que durou cinco anos, tornou-se símbolo do confronto da última década entre Erdogan, um político de inclinação islâmica, e as instituições laicas do Estado turco.

Ao anunciar os veredictos dos quase 300 réus do processo, os juízes também sentenciaram três parlamentares do Partido Popular Republicano, de oposição, a penas de 12 a 35 anos de reclusão. Antes disso, forças de segurança usaram gás lacrimogêneo para dispersar simpatizantes dos réus que haviam se concentrado em um terreno próximo ao tribunal, instalado na penitenciária da Silivri, a oeste de Istambul.

Promotores dizem que uma suposta rede de nacionalistas radicais, conhecida como Ergenekon, realizou execuções extrajudiciais e atentados a bomba na tentativa de desencadear um golpe militar. O Partido Justiça e Liberdade (AKP), de Erdogan, diz que esse é um exemplo das forças antidemocráticas que o atual governo tenta erradicar.

Críticos, incluindo o principal partido da oposição, dizem que as acusações são inventadas para reprimir a oposição e domar o "establishment" laico que há quase um século domina a Turquia. Eles dizem também que a Justiça foi alvo de influências políticas nesse caso.

"Esse é o julgamento (feito por) Erdogan, é o teatro dele", disse o parlamentar Umut Oran, do Partido Popular Republicano. "No século 21, para um país que deseja se tornar membro pleno da União Europeia, esse julgamento obviamente político não tem base jurídica", afirmou ele no tribunal.

Erdogan nega que tenha havido interferência no processo político, e salienta a independência do Judiciário. Mas ele criticou o comportamento dos promotores no caso, e manifestou inquietação com o tempo que os réus passaram na cadeia antes de serem condenados.  / REUTERS

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