Ex-colaborador do WikiLeaks diz ter apagado milhares de documentos

Entre arquivos destruídos, estava lista de pessoas proibidas de entrar ou sair de avião dos EUA.

BBC Brasil, BBC

22 de agosto de 2011 | 17h33

Um ex-porta-voz do site WikiLeaks diz ter apagado milhares de arquivos não publicados que haviam sido enviados ao site, após um desentendimento com o fundador do projeto, Julian Assange.

Daniel Domscheit-Berg disse à revista alemã Der Spiegel que os documentos incluíam até mesmo uma cópia da lista "no-fly" americana, uma relação de pessoas que os Estados Unidos não permitem que entrem ou saiam do país por meio de aviões, com base em suspeitas de ligações com o terrorismo.

Domscheit-Berg diz que destruiu os documentos para evitar que as fontes fossem comprometidas, depois que teve um desentendimento grave com Assange.

O ex-porta-voz teria retirado os documentos dos servidores do WikiLeaks quando se desligou do site, especializado no vazamento de documentos confidenciais.

Por meio de sua conta no serviço de microblogging Twitter, o WikiLeaks confirmou as afirmações de Domscheit-Berg.

"Podemos confirmar que DDB (Daniel Domscheit-Berg) destruiu dados, incluindo uma cópia da lista 'no-fly' integral dos Estados Unidos."

O comunicado do WikiLeaks disse ainda que seu ex-colaborador apagou 5 gigabytes de dados relativos ao Bank of America, além de comunicações internas de 20 organizações neo-nazistas e informações de "mais de cem empresas de internet" interceptadas pelos Estados Unidos.

No entanto, Domscheit-Berg não confirmou estas acusações.

Um comunicado atribuído a Julian Assange acusava o alemão de sabotagem e de tentativa de chantagem.

Choque de personalidades

Em 2010, Domscheit-Berg trabalhou como voluntário no WikiLeaks. Perto do final do ano, ele deixou a organização.

Em seguida, o ativista publicou um livro sobre suas experiências, no qual afirma ter se desentendido com Assange devido aos seus métodos de administração, considerados pouco usuais.

O ex-porta-voz diz ter pedido especificamente que deixasse o cargo de representante público do WikiLeaks devido às acusações de assédio sexual que pesam contra o criador do site.

Em entrevista ao programa Panorama, da BBC, Domscheit-Berg disse que "sentiu que (o WikiLeaks) estava desmoronando porque ele (Assange) era muito ignorante".

Ele também acusou o fundador do WikiLeaks de "se comportar como uma criança, agarrando-se ao brinquedo".

Depois de sua saída do WikiLeaks, Domscheit-Berg abriu um site rival, chamado de projeto OpenLeaks.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.