Ex-comandante iraquiano é detido por crimes de guerra

A polícia dinamarquesa deteve hoje, sob a acusação de crimes de guerra, o ex-comandante supremo das Forças Armadas iraquianas, Nicar al-Khazraji, que vive na Dinamarca como residente "tolerado" há três anos. Segundo a polícia, o risco é de que o ex-comandante, acusado por crimes contra a humanidade e violações à Convenção de Genebra sobre a proteção de civis em tempo de guerra, possa fugir para o exterior.Al-Khazraji é acusado por atos ocorridos durante a campanha contra os curdos no norte do Iraque, no final dos anos 80, que provocou a morte de milhares de pessoas - embora tenha sempre negado tais acusações. Em março do ano passado se havia falado de contatos entre a CIA e al-Khazraji, considerado - segundo fontes americanas - um candidato "ideal" para cumprir no Iraque pós-Saddam um papel análogo ao do primeiro-ministro Hamid Karzai no Afeganistão. O próprio general, de 63 anos, tentou criar um Conselho Iraquiano de Salvação Nacional na Dinamarca junto com outros opositores de Saddam. As autoridades dinamarquesas o receberam no país há três anos com um estatuto especial de residente "tolerado", em razão de que, se ele tivesse sido enviado a Bagdá, correria o perigo de ser condenado à morte. Al-Khazraji, que fugiu do Iraque em 1995 através da Jordânia, não participou da reunião dos opositores iraquianos no exterior porque a Dinamarca não lhe garantiu o direito de retornar a Soro, localidade onde vive com sua esposa e dois filhos. Os refugiados curdos indicaram o ex-militar como responsável pelo uso de armas químicas que mataram milhares de pessoas no norte do Iraque.

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