Ex-comunista é o vice em chapa apoiada por Uribe

Angelino Garzón liderou a Central Única dos Trabalhadores na Colômbia nos anos 80, quando optar pelo caminho do sindicalismo em seu país podia significar assinar uma sentença de morte. "Comecei a denunciar o assassinato de colegas em entidades como a Organização Internacional do Trabalho, mas levou tempo até que me ouvissem", contou Angelino ao jornal O Estado de S. Paulo.

AE, Agência Estado

28 Maio 2010 | 08h15

Hoje, esse ex-sindicalista de centro-esquerda, que no passado chegou a militar no Partido Comunista, é o improvável vice-presidente da chapa do candidato governista, o ex-ministro da Defesa Juan Manuel Santos, considerado um falcão de direita e herdeiro político do presidente Álvaro Uribe. Se Santos vencer, Garzón será o segundo na linha de sucessão presidencial, em um país em que, ao contrário do que ocorre em muitos vizinhos, rotular-se como "direita" parece ser um pré-requisito para ganhar votos.

"A ideia é que esse futuro governo seja mais aberto ao diálogo e à conciliação - será seu diferencial. Nossa associação faz parte desse projeto e Santos também se diz disposto a convidar todos os atuais candidatos a formar parte de sua gestão se for eleito", afirma Garzón, sempre apoiado pela mulher, que fala um português perfeito - eles se conheceram em São Paulo, quando ela estudava psicologia na PUC. "Lembro que no Brasil, a chapa de Lula também reuniu figuras com distintas trajetórias - seu vice era um empresário", compara.

Quando anunciada, a escolha de Garzón foi descrita por analistas como arriscada. Integrantes do governista Partido de La U chegaram a se opor à decisão e militantes de esquerda acusaram Garzón de traição. O ex-sindicalista, que chegaria a ser governador, ministro e embaixador na ONU, é visto como um homem de diálogo, próximo a movimentos sociais e de origem humilde - em oposição a Santos, que pertence a uma família da oligarquia colombiana. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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