Ex-comunistas alemães jogam futuro amanhã

Mais de uma década após a queda do Muro de Berlim, o PDS, partido que sucedeu o SED (o partido comunista da ex-Alemanha Oriental) e quinta maior bancada no Bundestag (Parlamento), corre o risco de ficar sem representação parlamentar federal depois das eleições de amanhã. Caso isso ocorra, a coalizão governista a ser formada para a próxima lesgislatura, qualquer que seja ela, terá garantida a maioria de 50% mais 1 do Parlamento. Os prognósticos indicam que dificilmente o partido obterá os 5% dos votos necessários para assegurar o direito de ter uma bancada no Bundestag. O partido aposta numa segunda chance oferecida pela lei eleitoral para não ficar de fora do Parlamento e para isso terá de eleger três deputados diretamente em seu distrito. Se não conseguir, as cadeiras que seriam destinadas ao PDS serão distribuídas proporcionalmente aos partidos que obtiverem mais votos de legenda em cada distrito. "Consideramos a cláusula eleitoral dos 5% injusta e faz parte do nosso programa eliminá-la definitivamente", explica o presidente do diretório estadual da Saxônia, Michael Schrader. "Acho que seria uma perda política para a Alemanha não ter uma força alternativa no Bundestag, que não se alinhe automaticamente nem à atual coalizão nem à oposição conservadora." A exclusão do PDS do Bundestag também pode favorecer a coligação democrata-cristã de oposição CDU/CSU. do governador da Baviera, o conservador Edmond Stoiber. O PDS concentra a maior parte do seu eleitorado nos Estados da ex-RDA, onde disputa a mesma faixa de eleitores com o SPD, do atual chanceler alemão e candidato à reeleição, Gerhard Schroeder, e onde os conservadores costumam ter muitos votos. A incógnita sobre o futuro do PDS torna ainda mais imprevisível o resultado da eleição. No encerramento ontem da campanha eleitoral, as pesquisas indicavam empate técnico entre os partidos de Schroeder e Stoiber na faixa dos 35% e 37%. Os verdes, sócios da atual coalizão de governo, e os liberais, que tenderiam a se unir à CDU/CSU, também estão empatados, na faixa dos 7%. Antes da queda do muro, o Partido Comunista tinha mais de 2 milhões de filiados entre a população alemã oriental de 17 milhões. Schrader prevê ainda mais dificuldades para obter novas filiações se o partido não conseguir manter sua bancada no Parlamento federal. "A maioria de nossos filiados é formada por pessoas de mais de 60 anos que passaram a maior parte da vida sob o regime que vigorava na ex-RDA. Para revigorar o partido, precisamos de gente jovem e isso será mais viável se pudermos nos mostrar capazes de permanecer no Parlamento." O PDS obteve 5,1% nas eleições de 1998 e elegeu 37 deputados. Durante o período que antecedeu a campanha para a votação de amanhã, no entanto, sofreu um duro golpe. Uma de suas maiores estrelas, Gregor Gysi, parlamentar federal e secretário de Finanças de Berlim, teve de renunciar por ter usado para viagens particulares os bônus do programa de milhagem da companhia Lufthansa acumulados em vôos de trabalho oficial. Numa dificuldade adicional para o partido, o número de distritos eleitorais foi reduzido de 333 para 299. As cadeiras no Bundestag passaram de 666 para 598. Muitos dos distritos suprimidos - numa reforma para tornar mais equilibrada a representação parlamentar depois da reunificação alemã - eram de regiões da ex-Alemanha Oriental, onde o PDS tem mais força eleitoral. Na eleição de 1994, o partido já não tinha conseguido ultrapassar a barreira dos 5% e só manteve sua bancada por ter eleito três candidatos na votação direta. Uma cláusula eleitoral de 1953 estabeleceu esse limite mínimo para evitar que a grande quantidade de pequenos partidos fragmentasse o Bundestag e levasse o país a uma situação de ingovernabilidade.

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