Ex-condenado processa seu advogado por incompetência

Um homem, libertado depois de esperar 14 anos no corredor da morte a execução por um crime que sempre disse que não cometeu, já pode processar o responsável pela defesa, indicada pelo cidade de Las Vegas, e que ele considerou de segunda categoria. A Suprema Corte recusou-se, hoje, a intervir no processo que Roberto Miranda, de Nevada, move contra o inexperiente defensor público que fez quase nada para evitar sua condenação à morte em 1982.Miranda foi solto em 1996, depois que um juiz descobriu que seu advogado havia cometido erros clamorosos. No processo, ele reclama que o defensor público de Las Vegas ?jogou a toalha enquanto Miranda era empurrado rapidamente para a execução?. O defensor que lhe foi destinado, Thomas Rigsby, não tinha sequer um ano na função e nunca defendera um caso de pena capital. Segundo Miranda, o fato de ser negro de língua hispânica, originário de Cuba, pesou na escolha do advogado. Em sua opinião, brancos e membros da igreja mormon sempre conseguem melhores defensores de que pessoas das minorias raciais e não-mormons.Além disso, ele diz que Rigsby pediu-lhe para submeter-se a um detetor de mentiras, administrado por um técnico que falava apenas inglês, e depois achou que seu cliente falhara no teste. O escritório de advocacia pública normalmente utiliza-se de detetores em novos clientes e, com os resultados, decide quão vigorosa será a defesa.?Depois disso, Rigsby não fez praticamente nada para preparar a defesa do sr. Miranda no tribunal?, dizem seus advogados atuais. Por exemplo, Rigsby não interrogou testemunhas que poderiam contradizer o principal acusador de Miranda e sequer chamou-os para testemunhar. O processo movido por Miranda inclui também o chefe do escritório de defensores públicos, Morgan Harris e o próprio município de Las Vegas.

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