Ex-conselheiro militar americano vê piora na ´guerra civil´ iraquiana

O Iraque está mergulhado em uma "guerra civil de baixo nível" que força os Estados Unidos a reagir aos eventos localmente ao invés de tentar transformar essa realidade, afirma um conselheiro militar do Exército americano que passou dois anos estudando a insurgência. "Quando você começa a reagir aos eventos, não pode impor uma solução", disse o professor do Colégio de Guerra Naval dos Estados Unidos, Ahmed Hashim. Ele trabalhou com as tropas americanas no Iraque de novembro de 2003 a setembro de 2005 em um esforço para compreender as emoções e a lealdade de insurgentes iraquianos. Em discurso no Conselho de Relações Exteriores na terça-feira, Hashim disse que a força mais poderosa por trás do espiral caótico do Iraque é a "questão da identidade", que divide sunitas, xiitas e curdos. "O que aconteceu nos últimos meses é que as comunidades iraquianas criaram uma narrativa que é excludente", disse ele, apontando para o aumento de milícias sectárias como o Exército Mahdi, e a poderosa milícia leal ao clérigo radical Muqtada al-Sadr. Quando as milícias tomam o lugar do Estado na proteção de comunidades individuais, o antagonismo étnico é o produto natural, explica ele.Ressaltando que falava como indivíduo e não como representante do Exército americano, Hashim expressou pessimismo sobre a habilidade do país em controlar a situação no Iraque. "Temos uma guerra civil no momento, uma guerra civil de baixo nível. Nosso entendimento sobre o Iraque avançou em um passo glacial e a única política que realmente temos nas mãos no momento é sair". As estratégias de contra-insurgência implementadas pelos Estados Unidos até agora não foram ferramentas efetivas para lidar com a guerra civil ou o crime organizado, acrescentou. "Ficar no Iraque e afetar a situação requer um tipo de entendimento e um nível bem mais profundo do que o que temos".Hashim disse que ficou surpreso com a mudança nas atitudes de civis iraquianos durante seu tempo no país. Em 2003, a maioria dos iraquianos com quem falou disseram que não consideravam a guerra civil uma possibilidade. Dois anos depois, tudo isso mudou. "Em 2005 voltei com uma visão pessimista do Iraque". Segundo ele, o ciclo de violência sectária só acelerou desde então. Os comentários de Hashim foram feitos em um dia em que pelo menos 41 pessoas morreram no Iraque, segundo contagem da Associated Press, incluindo pelo menos 17 mortos em um atentado suicida em um mercado em Tal Afar na terça-feira.

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