Ex-deputada é presa por vender voto para aprovar reeleição de Uribe

Apoio de Yidis Medina foi definitivo na votação de 2005; escândalo reduz a possibilidade do terceiro mandato

EFE E AFP, O Estadao de S.Paulo

29 de abril de 2008 | 00h00

Em mais um escândalo envolvendo aliados do presidente colombiano, Álvaro Uribe, a ex-deputada Yidis Medina foi presa por vender seu voto durante uma votação-chave no Congresso. Na semana passada, Yidis admitiu que, em 2005, só apoiou a emenda constitucional que permitiu a reeleição de Uribe no ano seguinte porque funcionários do governo - entre eles dois ministros - ofereceram a ela cargos públicos. A ex-deputada entregou-se à promotoria na noite de domingo, dois dias depois de a Suprema Corte ter ordenado sua detenção por suborno. Como em 2005 o apoio de Yidis foi crucial para a aprovação do segundo mandato, o escândalo - uma espécie de "mensalão" colombiano - é um duro golpe para o governo, num momento em que partidários de Uribe tentam articular uma reforma para permitir outra reeleição. Yidis diz ter documentos que envolvem funcionários e ex-funcionários do governo e garante que irá apresentá-los à Justiça. "Vamos contar toda a verdade", disse o seu advogado, Ramón Ballesteros. "Yidis arrepende-se de ter mudado de posição (em relação à reeleição)." Segundo a ex-deputada, Uribe sabe que seus aliados subornaram congressistas para aprovar a reforma. Ela diz que não recebeu os benefícios que lhe foram prometidos. Em visita a Neiva, o presidente negou as acusações: "O governo persuade, não compra consciências." A emenda que permitiu a primeira reeleição de Uribe foi aprovada numa votação apertada no Congresso colombiano, após ser rejeitada em referendo popular. Foi ela que permitiu ao presidente obter um segundo mandato, depois de obter 62% dos votos. Nos últimos meses, aliados de Uribe começaram a recolher o 1,2 milhão de assinaturas necessárias para pedir ao Legislativo uma nova reforma que permitiria mais um mandato. Denúncias como a de Yidis podem atrapalhar seus planos. As novas denúncias vêm à tona num momento em que o governo está abalado por outro escândalo. Desde 2006, 65 congressistas foram presos ou são investigados por vínculos com grupos paramilitares de ultradireita.Até agora, porém, nada conseguiu arranhar a popularidade do presidente, de 84%. O sucesso no combate à violência e à guerrilha Farc fez de Uribe o mais popular entre os líderes latino-americanos.

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