AP Photo/Alisa Berezutsskaya
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Ex-deputado russo é morto a tiros no centro de Kiev

Presidente da Ucrânia, Petro Poroshenko, acusa o governo russo de estar por trás do assassinato; Moscou havia emitido recentemente uma ordem de busca e captura contra Denis Voronenkov, acusado de diversos crimes financeiros

O Estado de S.Paulo

23 de março de 2017 | 10h59

KIEV - O ex-deputado comunista russo Denis Voronenkov foi assassinado nesta quinta-feira, 23, a tiros perto de um hotel no centro de Kiev, informou o chefe da polícia da capital ucraniana, Andrei Krischenko. Em declarações ao canal de televisão "112.Ukraina", o chefe policial confirmou que a vítima é o ex-deputado, que em dezembro fugiu da Rússia à Ucrânia após ter sido acusado de corrupção pelas autoridades de seu país.

Segundo a polícia, o autor dos disparos foi ferido pelo guarda-costas de Voronenkov, que também ficou ferido no tiroteio. O ataque aconteceu por volta das 11h30 (6h30, em Brasília) em pleno centro da cidade, quando o ex-deputado russo e seu guarda-costas saíam de um hotel.

O presidente da Ucrânia, Petro Poroshenko, acusou o Kremlin de estar por trás do assassinato de Voronenkov, e qualificou o crime de "terrorismo de Estado por parte da Rússia". "O covarde assassinato de Denis Voronenkov é um ato de terrorismo de Estado por parte da Rússia, país que se viu obrigado a deixar por motivos políticos", disse o líder ucraniano segundo um porta-voz.

Em reunião com responsáveis das forças de segurança, Poroshenko afirmou que neste crime "se vê a clara mão dos serviços secretos russos, a mesma que se manifestou em várias ocasiões em diversas capitais europeias". "Voronenkov era um das testemunhas-chave da agressão russa contra a Ucrânia e, em particular, do papel (do ex-presidente ucraniano Viktor) Yanukovich na entrada das tropas russas na Ucrânia", acrescentou.

O chefe do Estado indicou que não considera uma casualidade que o assassinato do ex-deputado tenha coincidido com o ato de sabotagem que provocou hoje o incêndio de arsenais militares no leste do país e obrigou a retirada de cerca de 20 mil pessoas.

O subdiretor da Polícia Nacional da Ucrânia, Aleksandr Vakulenko, também apontou para a possibilidade de a Rússia estar envolvida no assassinato, já que o ex-deputado possuía "informação importante".

No último dia 3, a Rússia declarou que havia um mandado de busca e captura contra o ex-deputado por diversos crimes financeiros. Ele havia fugido em dezembro para a Ucrânia, onde criticou a anexação russa da península da Crimeia. Além disso, um tribunal de Moscou ordenou sua detenção à revelia por dois meses a partir do momento que fosse detido em território russo ou extraditado.

A Justiça russa acusou o deputado de fraude, falsificação de documentos e de embolsar entre US$ 1 e 2 milhões pela venda de um edifício de 1,5 mil metros quadrados em Moscou expropriado ilegalmente de seus legítimos proprietários.

Recentemente, Voronenkov provocou um grande escândalo político na Rússia ao conceder uma entrevista em Kiev e anunciar que tinha recebido em dezembro cidadania ucraniana após não ser reeleito na eleição parlamentar. 

O ex-deputado denunciou que o Kremlin falsifica as votações, tanto as presidenciais como as parlamentares e municipais, e acusou os serviços de segurança de usurpar o poder e controlar a Câmara dos Deputados.

Na sua opinião, o país comandado por Vladimir Putin se parece cada vez mais com a Alemanha nazista de Hitler e a atmosfera em seu país de origem é uma "loucura pseudopatriótica". O ex-deputado disse também que a anexação da Crimeia, que ele apoiou durante seu mandato, foi um "grande erro", ao qual se opunham muitos dos altos funcionários do Kremlin, e foi decidida por apenas um homem: Putin.

Além disso, em meados de fevereiro Voronenkov fez declarações em Kiev contra o presidente ucraniano deposto Viktor Yanukovich, exilado no sul da Rússia, em um caso de alta traição. Estas manifestações lhe valeram a qualificação de "traidor" por parte de seus antigos companheiros de partido e de outras formações políticas.

Sua mulher, a famosa soprano do teatro Mariinski de São Petersburgo, Maria Maksakova, também fugiu à Ucrânia com o ex-deputado. Maksakova, que era solista do teatro desde 2011, garantiu que não deve retornar durante um tempo à Rússia por motivos de segurança. / EFE

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