Ex-diplomatas criticam apoio "descarado" de Bush a Sharon

Sessenta ex-diplomatas dos Estados Unidos assinaram uma carta endereçada ao presidente George W. Bush advertindo que, devido ao seu "apoio descarado" ao primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon, os EUA estão perdendo "credibilidade, prestígio e amigos". A carta expressa profunda preocupação com o endosso dado por Bush, em 14 de abril, a um proposta unilateral de Sharon de retirada da Faixa de Gaza, ao mesmo tempo em que manteria assentamentos judaicos na Cisjordânia. O número de diplomatas que assina a carta foi revelado pelo escritório de Andrew I. Killgore, antigo embaixador no Catar de 1977 a 1980. O co-autor da carta foi Richard H. Curtiss, um ex-inspetor-chefe da CIA. Os ex-diplomatas julgaram que a proposta de Sharon - que foi rejeitada por seu Partido Likud este fim de semana - é "um plano unilateral para enterrar os direitos de 3 milhões de palestinos, negar o direito dos refugiados de retornar à sua terra natal e manter cinco grandes assentamentos ilegais na Cisjordânia ocupada". Sharon tem dito que levará seu plano à frente, com modificações, apesar da rejeição do Likud. Um editorial do Washington Post também criticou hoje a "aposta mal avaliada" de Bush em Sharon. O jornal considera que uma política, para ter sucesso no Oriente Médio, "tem de consistir de mais do que apostas em primeiros-ministros israelenses que, eles próprios, apostam em tentativas com poucas chances de sucesso". A frase é uma alusão não apenas a Sharon, mas também ao seu predecessor, Ehud Barak. Segundo o Post, Barak persuadiu o ex-presidente Bill Clinton a promover a cúpula de Camp David com o líder palestino Yasser Arafat, que levou ao colapso do processo de paz.

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