Stefan Wermuth/Reuters
Stefan Wermuth/Reuters

Ex-diretor de comunicação de Cameron e jornalista de tabloide são presos

Editor é acusado de intercepção de telefones; setorista da família real já havia sido condenado em 2007

Agência Estado, Efe e Reuters

08 de julho de 2011 | 08h46

LONDRES - Andy Coulson, ex-diretor de comunicação do primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, foi detido nesta sexta-feira, 8, sob suspeita de corrupção e intercepção de telefones enquanto era editor do jornal "News of the World", informou a agência britânica "PA". Algumas horas mais tarde, o ex-setorista da família real do "News of the World", Clive Goodman, condenado em 2007 por conta do caso das escutas telefônicas ilegais do jornal, também foi preso, informou a agência.

 

Coulson, editor do jornal entre 2003 e 2007, havia comparecido a uma delegacia de Londres para prestar depoimento sobre o caso das escutas telefônicas praticadas no jornal, que será publicado neste domingo pela última vez.

 

O jornalista, de 43 anos, renunciou de seu cargo como assessor de Cameron em janeiro passado ao se ver implicado pelo escândalo, apesar de ter reiterado que não sabia da prática de interceptar celulares quando era editor da publicação.

 

Já foram efetuadas sete prisões desde que a polícia reabriu a investigação dos grampos mais cedo neste ano. Porém ninguém foi até o momento acusado formalmente. Por causa do escândalo, o News of the World circulará apenas até o domingo, segundo anunciou ontem o comando da empresa. O tabloide é parte da News Corp., de Rupert Murdoch, também proprietária da agência Dow Jones e do Wall Street Journal.

 

Críticas

 

Coulson deixou o cargo de editor do jornal em 2007, dizendo que assumia a responsabilidade pelos grampos ocorridos enquanto ele estava no comando, mesmo afirmando que não sabia nada sobre eles. Quando Cameron assumiu como primeiro-ministro, em maio de 2010, chamou Coulson para chefiar a área de comunicação do governo, o que gerou várias críticas.

 

Cameron defendeu nesta sexta-feira sua decisão de contratar Coulson como diretor de comunicação e disse que assumia sua responsabilidade, assegurando que havia pedido garantias de que não estava implicado nos escândalos.

 

Cameron

 

Cameron falou sobre o caso hoje. O primeiro-ministro anunciou uma investigação independente, liderada por um juiz, para investigar os grampos. Essa apuração começará assim que a polícia encerrar seu trabalho de investigação. O premiê disse que deve haver uma análise da cultura da mídia no Reino Unido. "A verdade é que todos nós temos estado nisso juntos", afirmou Cameron. "Sim, inclusive eu."

 

O News of the World tem 168 anos e é o jornal mais vendido do país. Cameron assumiu toda a responsabilidade por contratar Coulson, porém defendeu a decisão, dizendo acreditar que só cabia a ele julgar o profissional pelo seu trabalho no governo. O premiê classificou Coulson como um amigo. Uma hora depois da declaração do premiê, Coulson foi detido pela polícia.

 

Há também uma pressão pela demissão de Rebekah Brooks, a executiva-chefe da operação de notícias da News Corp. Há relatos de que ela teria apresentado sua demissão recentemente, porém esta não foi aceita. "Eu teria aceitado [essa demissão]", comentou Cameron sobre o caso.

 

"Líderes partidários estavam tão interessados em obter apoio dos jornais que deixamos de enxergar", afirmou Cameron, comentando a cultura em torno da imprensa no país. Em 2009, o casamento de Brooks teve entre seus convidados o então premiê Gordon Brown, o próprio Cameron e outros importantes políticos.

 

Grampos e fechamento

 

O presidente do grupo News International, James Murdoch - filho do magnata Rupert Murdoch -, anunciou nesta quinta-feira que o jornal, a edição dominical do "The Sun" e o de maior tiragem do país, publicará neste domingo sua última edição, para enterrar o assunto dos escutas.

 

O escândalo estourou em 2006 e terminou com a prisão do setorista da família real do tabloide, Clive Goodman, e seu parceiro, o detetive Glen Mulcaire, por terem violado as caixas de mensagens de telefones celulares de personalidades da vida pública britânica, incluindo membros da realeza.

 

A investigação foi reaberta há alguns meses quando vários famosos denunciaram que seus telefones haviam sido invadidos, entre eles a atriz Sienna Miller, e o caso se complicou nesta semana ao ser divulgado que o jornal também tinha grampeado os aparelhos de uma menina assassinada e parentes de soldados mortos no Iraque.

 

Atualizada às 10h15

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