AFP PHOTO / MARTIN BUREAU
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Ex-diretor de espionagem é suspeito de ajudar Sarkozy com informações sigilosas

A presença de Squarcini na sede da Inspeção Geral de Polícia Nacional (IGPN), a corregedoria de polícia da França, foi revelada na segunda-feira, mas só nesta terça-feira, 27, descobriu-se as razões da detenção

Andrei Netto CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S. Paulo

27 de setembro de 2016 | 18h57

Bernard Squarcini, ex-diretor da Direção Central de Informação Interior (DCRI), o principal serviço secreto interior da França, está preso em Paris há dois dias por suspeitas de violação do segredo de Justiça, obstrução de investigações, violação do segredo profissional e tráfico de influências. A decisão de mantê-lo em detenção decorre de uma investigação judicial que apontou que Squarcini usava sua rede de contatos em proveito próprio e do ex-presidente Nicolas Sarkozy, pré-candidato ao Palácio do Eliseu em 2018. 

A presença de Squarcini na sede da Inspeção Geral de Polícia Nacional (IGPN), a corregedoria de polícia da França, foi revelada na segunda-feira, mas só nesta terça-feira, 27, descobriu-se as razões da detenção. De acordo com o jornal Le Monde, que revelou o escândalo, o ex-chefe de espionagem interior alimentou com informações a equipe de Sarkozy para fins políticos. 

Segundo as investigações, assessores do ex-presidente receberiam de forma privilegiada dados sigilosos de Justiça sobre os rumos de outra investigação, o Caso Cahuzac – que atingiu o ex-ministro socialista Jérôme Cahuzac e desestabilizou o governo de François Hollande em 2013. 

Além disso, Squarcini é suspeito de ter usado sua rede de contatos na polícia para servir a interesses pessoais e aos de empresas para os quais prestou serviços, como a gigante de moda LVMH, fabricante dos produtos de luxo Louis Vuitton. O tráfico de influências teria sido configurado em uma investigação realizada pela Brigada Financeira, sob orientação do Ministério Público de Paris, a partir de uma queixa da rival Hermès sobre a Louis Vuitton, cujos proprietários na época faziam manobras para assumir o controle acionário da concorrente. 

Christian Flaesch, ex-diretor da Polícia Judiciária, foi detido na mesma investigação, mas liberado na noite de hoje. Ele é suspeito de ter revelado em 2013 informações sigilosas a seu ex-superior hierárquico, o ex-ministro do Interior Brice Hortefeux, sobre como se preparar para uma audiência no MP sobre outra investigação na qual Sarkozy também estava envolvido.

Squarcini foi afastado de suas atribuições em maio de 2012, quando da posse do atual presidente, François Hollande. À época, uma das razões subjacentes evocadas para a demissão era sua proximidade excessiva com Sarkozy, que o apelidava de "Squale". Sob sua gestão, os serviços secretos foram denunciados em reportagens por espionar líderes políticos de oposição, em especial do Partido Socialista (PS), e também jornalistas que investigavam escândalos ligados ao governo.

Até a noite desta terça-feira, os advogados de Squarcini não haviam se manifestado, assim como Flaesch. A LVMH também informou que não se manifestaria sobre a investigação em curso.

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