Ex-diretor de jornal mexicano é encontrado morto

O ex-diretor de um dos jornais mais antigos do México foi achado morto em seu apartamento na capital nesta quinta-feira, uma semana após a publicação de seu livro criticando o governo federal, a comunidade empresarial e funcionários do jornal. José Manuel Nava, de 53 anos, que foi o último administrador e editor do jornal Excelsior quando ele ainda era gerenciado por um cooperativa, foi achado por uma faxineira que entrou em seu apartamento pouco antes das 10 da manhã, horário local (14h em Brasília), segundo informou a porta-voz da polícia local, Patricia Espinoza. Autoridades na cena do crime, que não foram autorizadas a falar oficialmente, disseram que Nava foi, provavelmente, esfaqueado. Espinoza disse que a morte de Nava foi considerada como homicídio, mas não disse imediatamente como ele foi morto. Um dos jornais mais antigos do país, o Excelsior foi fundado em 18 de março de 1917. O diário teve dias de glória nos anos 60 e 70 sob a tutela do jornalista mexicano Julio Scherer Garcia, o qual, apesar da pressão das autoridades e da comunidade empresarial - fez do jornal o primeiro a ser crítico do governo. Em 1972, o setor privado boicotou o jornal e, em 1976, Scherer e dezenas de outros jornalistas foram expulsos do diário por membros da junta diretora. Scherer e vários aliados culparam o então presidente mexicano, Luis Echeverria, de articular sua saída como líder de conteúdo do jornal. Vavá trabalhou para o jornal durante 30 anos, incluindo 16 anos como correspondente em Washington e três como diretor, de 2002 a 2005, disse Lidia Maldonado, ex-secretária de Nava, que agora trabalha para o atual diretor-geral, Ernesto Rivera Aguilar. Em janeiro de 2003, uma oferta particular para comprar o Excelsior de seus funcionários por US$ 150 milhões foi por água abaixo, forçando o jornal a publicar anúncios pedindo doações do público. Não deu certo. O diário foi vendido em janeiro de 2006 para o Grupo Imagen, dono de uma rádio. Na semana passa, Nava apresentou um livro no qual culpava autoridades do governo, funcionários do jornal e empresários pela queda cooperativa do jornal.

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