DENIS CHARLET / AFP
DENIS CHARLET / AFP

Ex-diretor, Strauss-Kahn levou prostituta ao FMI em Washington

Jade, garota de programa, afirma durante julgamento de político francês ter recebido € 2 mil para viajar à capital dos Estados Unidos

Andrei Netto, CORRESPONDENTE /PARIS

11 de fevereiro de 2015 | 16h08


PARIS  - Dominique Strauss-Kahn, ex-diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), levou uma prostituta a seu gabinete em Washington em janeiro de 2010, quando exercia um dos cargos mais importantes do mundo das finanças, em meio à crise econômica internacional. A revelação veio à tona nesta quarta-feira, 11, durante sua segunda audiência no Tribunal Correcional de Lille, onde é julgado por favorecimento à prostituição.

A visita de uma garota de programa à direção-geral do FMI aconteceu a convite de Strauss-Kahn e era do conhecimento de seu staff. Durante o julgamento foi apresentada uma fotografia de Jade, uma das prostitutas envolvidas no Caso Carlton, como é chamado o escândalo sexual em uma rede de hotéis em Lille, na sede do fundo nos Estados Unidos. Em seu testemunho, a jovem afirmou que fora convidada a viajar a Washington, e que a condição era para que agisse de forma discreta, de maneira a ser apresentada como uma das secretárias de Strauss-Kahn.

Segundo Jade, a viagem foi paga. Questionada pelo juiz Bernard Lemaire sobre por que decidira aceitar o convite, a jovem não hesitou: "Por € 2 mil eu não diria não! Eu amo viajar e nunca tinha estado em Washington". A ex-prostituta também afirmou que Strauss-Kahn tinha conhecimento de que ela trabalhava em um clube de swing na França. "Há ingênuos e ingênuos. Nós não somos estúpidos", disse  ela.

Interrogado pelo juiz, o ex-diretor-gerente confirmou que levou Jade à sede do FMI, mas fiel à estratégia da defesa disse não ter conhecimento de que se tratava de uma prostituta. Segundo ele, seria um risco "inconcebível" levar uma garota de programas ao fundo.

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