Ex-diretora de Abu Ghraib diz que Rumsfeld autorizou torturas

A ex-general Janis Karpinski, responsável pela prisão iraquiana de Abu Ghraib entre julho e novembro de 2003, afirmou que foi o ex-secretário de Defesa americano Donald Rumsfeld quem autorizou as torturas no Iraque. Karpinski, única militar americana de alta patente punida pelos casos de tortura, deixou o Exército em 2005 e agora se ofereceu para testemunhar a favor da ação apresentada contra Rumsfeld e outros 11 políticos e militares dos EUA na Suprema Corte alemã, a qual não deve seguir adiante. Em entrevista publicada neste sábado pelo jornal espanhol El País, a ex-general aponta o recém-destituído chefe do Pentágono como principal responsável pelas torturas no Iraque e cita, neste sentido, um memorando assinado por ele sobre esses "métodos de interrogatório". "A assinatura manuscrita estava sobre seu nome impresso e, com a mesma letra, na margem, escreveu ´Certifiquem-se de que isto se cumpra´", afirmou, antes de acrescentar que esses métodos consistiam em obrigar os presos a ficarem de pé muito tempo, perturbar seu sono e os horários das refeições ou obrigá-los a ouvir música no volume máximo. "Rumsfeld autorizava estas técnicas específicas", declarou Karpinski, que decidiu contar tudo o que sabe porque acha que foi injustamente acusada, uma vez que os interrogatórios, assegura, não eram de sua competência, mas da Inteligência Militar, que seguia instruções do general Ricardo Sánchez, comandante-em-chefe das tropas americanas no Iraque. Karpinski chamou Sánchez, o latino de mais alta patente no Exército dos EUA, assim como o ex-secretário de Defesa, de "covarde". Além disso, acusou o primeiro de enviá-la para fora de Bagdá quando o escândalo das fotos de Abu Ghraib explodiu. Após ressaltar que soube da existência de tortura quando viu as fotos, no fim de janeiro de 2004, Janis Karpinski diz que hoje sabe que essas fotos não foram tiradas durante os interrogatórios, mas sim para que fossem usadas como método de persuasão para convencer os prisioneiros a falar. A ex-general relata na entrevista que as torturas em Abu Ghraib começaram com a visita ao Iraque do general Geoffrey Miller, comandante da prisão de Guantánamo, em setembro de 2005, "para ensinar aos membros da Inteligência Militar técnicas de interrogatório mais duras". "Antes de ir embora", acrescentou, "ele me disse que queria tomar o controle de Abu Ghraib para transformar a prisão em centro de interrogatórios para todo o Iraque, e foi isso que fez. De Guantánamo, dava as ordens e conseguia que tudo funcionasse como ele Queria". Sobre a responsabilidade do presidente dos EUA, George W. Bush, no caso, a ex-general afirma: "Não sei o que ele sabia, e quero crer que ele acreditava que os que trabalhavam para ele agiam corretamente. Mas ele é o comandante-em-chefe e se espera que assuma a responsabilidade".

Agencia Estado,

25 Novembro 2006 | 12h05

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