Ex-ditador argentino pega prisão perpétua

Reynaldo Bignone e outros 4 militares são condenados por crimes no centro de extermínio Campo de Mayo

BUENOS AIRES, O Estado de S.Paulo

13 de março de 2013 | 10h13

A Justiça da Argentina condenou ontem à prisão perpétua o ex-ditador Reynaldo Benito Bignone, que comandou o regime militar entre 1982 e 1983, e o ex-general Santiago Omar Riveros, responsável por campos de detenção ilegais e pelo roubo de bebês de desaparecidas políticas. A sentença foi emitida pelo Tribunal Oral Federal de San Martín.

Bignone e Riveros foram responsabilizados por crimes de lesa-humanidade cometidos contra 20 vítimas, na jurisdição do Campo de Maio, segundo nota do Centro de Informação Judicial. Entre as vítimas, sete estavam grávidas e deram à luz nos centros clandestinos mantidos pela ditadura argentina.

Também receberam a pena máxima os ex-repressores Luis Sadi Pepa, Eduardo Oscar Corrado e Carlos Tomás Macedra. Outros oito acusados foram condenados a penas que variam entre 12 e 25 anos de prisão.

De acordo com o Centro de Estudos Legais e Sociais, 1.861 pessoas, entre civis e funcionários das Forças Armadas e de Segurança da Argentina, estão envolvidas com o terrorismo de Estado. Do total, 17% já foram julgadas, sendo que 244 estão cumprindo pena.

Anistia. Os crimes cometidos durante a ditadura argentina haviam sido perdoados por leis (Ponto Final e Obediência Devida) e indultos decretados pelos ex-presidentes Raúl Alfonsín e Carlos Menem. Mas as leis que livraram centenas de militares da cadeia foram derrubadas durante o governo de Néstor Kirchner, em 2003. O primeiro julgamento de um ex-repressor da época da ditadura na Argentina ocorreu em 2006. / M.G.

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