Ex-ditador argentino sofre nova condenação

Justiça sentencia Reynaldo Bignone, último presidente do regime militar na Argentina, a mais 23 anos de prisão; general já cumpre pena perpétua

ARIEL PALÁCIOS, CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES , O Estado de S.Paulo

08 de outubro de 2014 | 02h03

O ex-ditador e general argentino Reynaldo Benito Bignone foi condenado ontem a 23 anos de prisão pelos sequestros e torturas de 60 líderes sindicais e operários - dos quais 32 foram assassinados - de diversas fábricas na região da Grande Buenos Aires em 1977, durante a ditadura militar (1976-83).

Essa foi a quinta condenação acumulada por Bignone, o último ditador do regime. Além de duas penas perpétuas, ele já cumpre uma condenação a 25 anos de prisão e outra de 15 anos. Entre os diversos crimes, o ex-ditador, de 86 anos, esteve envolvido no sequestro de bebês, torturas e assassinatos de civis e roubo de bens.

No que ficou conhecido como "Julgamento dos Operários", além do ex-ditador, foram também ao banco dos réus outros oito ex-integrantes da ditadura. Três deles foram absolvidos. Este foi o 11.º julgamento envolvendo crimes ocorridos no quartel do Exército de Campo de Mayo.

Paralelamente, Bignone está sendo julgado por outro caso, que deve ser concluído no ano que vem, sobre sua participação no Plano Condor, programa de cooperação das ditaduras sul-americanas nos anos 70 e 80 para eliminar opositores.

Ontem, no mesmo julgamento, foi condenado o ex-general Santiago Omar Riveros, de 91 anos, que cumprirá pena perpétua. Ele já havia sido julgado à revelia na Itália, em 2000, quando foi condenado à perpétua pela morte de três cidadãos italianos. Em 2009 Rivero havia sido condenado na Argentina à pena perpétua pela tortura de um adolescente de 14 anos.

Números. Segundo entidades de defesa dos direitos humanos na Argentina, o regime militar matou cerca de 30 mil civis, a maioria sem militância em grupos guerrilheiros.

No entanto, o número de desaparecidos catalogados pela Comissão Nacional de Pessoas Desaparecidas (Conadep), é de 10 mil pessoas. Nos últimos anos, dois ex-ditadores argentinos, Jorge Rafael Videla (morto em maio de 2013) e Bignone, admitiram que assassinaram 8 mil civis com o argumento de "defender o estilo de vida cristão e ocidental" da Argentina.

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