Ex-ditador uruguaio é condenado a 30 anos de prisão

O ex-ditador uruguaio Juan María Bordaberry, de 81 anos, foi formalmente sentenciado a 30 anos de prisão, por ter violado a Constituição do país em 1973, quando desfechou um golpe de Estado com apoio das forças armadas.

AE-AP, Agencia Estado

11 de fevereiro de 2010 | 18h56

A informação partiu hoje de Hebe Martínez Burle, advogada da promotoria. Burle disse que a sentença da juíza Mariana Motta "traz de volta o que é mais sagrado aos uruguaios - a Constituição".

Bordaberry foi eleito presidente em 1971, mas desfechou o golpe em 1973, inaugurando uma ditadura que durou até 1985. Em 1976, a junta militar depôs Bordaberry, que caiu no ostracismo. Ele foi detido pela primeira vez em 2006, pelos assassinatos de quatro uruguaios na vizinha Argentina, em 1976, quando ainda governava o país.

Bordaberry é o segundo ex-ditador uruguaio a receber uma sentença de prisão. O primeiro foi o ex-ditador Gregorio Alvarez, condenado a 25 anos de prisão em outubro do ano passado por assassinatos e desaparecimentos de presos políticos.

Alvarez governou o Uruguai entre 1981 e 1985. No total, dez militares, incluído Alvarez, cumprem sentenças de prisão no Uruguai por crimes cometidos na época da ditadura. Alvarez foi condenado por participação ou envolvimento em 37 homicídios.

Bordaberry e seu ex-chanceler, Juan Blanco, são os dois únicos civis condenados por crimes cometidos naquela época no Uruguai ou que enfrentam acusações. Os julgamentos de responsáveis por crimes cometidos durante a ditadura uruguaia se aceleraram quando Tabaré Vázquez, o primeiro presidente de esquerda do país, tomou posse em 2005.

O filho de Bordaberry, Pedro, ficou em terceiro lugar nas eleições presidenciais uruguaias em novembro do ano passado, vencidas pelo ex-guerrilheiro tupamaro José Mujica.

Com informações da Dow Jones.

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