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Ex-DJ se proclama 'chefe' de Madagascar; presidente renuncia

Líder da oposição ocupou palácio presidencial horas antes de Ravalomanana anunciar que deixará o cargo

Agêncais internacionais,

17 de março de 2009 | 09h59

O presidente de Madagascar, Marc Ravalomanana, entregou o poder aos militares do país nesta terça-feira depois de uma longa disputa pelo poder com a oposição na ilha no oceano Índico, disseram autoridades do governo. A saída ocorre após quase dois meses de pressões da oposição, que o acusou de desvio de dinheiro público e de violar a Constituição. Membros da oposição disseram que seu líder, Andry Rajoelina, um ex-DJ de 34 anos cujos protestos aceleraram a queda do presidente, seria o responsável por uma autoridade transitória. Mas assessores do presidente disseram que ele entregou o poder ao almirante da Marinha Hyppolite Ramaroson, o oficial de mais alta patente de Madagascar. O comando do Exército, no entanto, já manifestou-se favorável à liderança do país sob Rajoelina.

 

Mais cedo, o ex-DJ se proclamou chefe de uma "alta autoridade de transição" para governar Madagascar após entrar nos escritórios presidenciais, em Antananarivo, ocupadas na segunda-feira por militares golpistas.  Rajoelina liderou manifestantes para dentro do palácio presidencial em Antananarivo nesta terça-feira, depois de ter declarado que oito ministros de Ravalomanana haviam renunciado devido à crise política. Ele ingressou no palácio presidencial sendo aplaudido por soldados amotinados que o respaldaram em sua queda de braço com o presidente, que estava cada vez mais isolado. Além dos soldados, o ex-DJ foi recebido por curandeiros "mpiandry" especializados em exorcismo.

 

O Exército de Madagascar tradicionalmente mantém-se neutro durante confrontos políticos, mas desta vez está apoiando Rajoelina, que desde o início do ano vem liderando manifestações contra o governo. A população está descontente com Ravalomanana, principalmente por causa do alto índice de pobreza na ilha do Oceano Índico.

 

Líderes da oposição disseram que a autoridade transitória liderada por Rajoelina organizaria eleições em até dois anos e reescreveria a Constituição para criar uma "Quarta República". Rajoelina, ex-DJ de 34 anos e prefeito deposto de Antananarivo, vinha exigindo a renúncia de Ravalomanana desde o começo de 2009 e agora quer sua prisão. Ele acusou o presidente de ser um ditador e de controlar Madagascar como se fosse uma empresa privada. Líder de duas empresas de comunicação, o jovem político foi eleito com 63% dos votos. A União Africana, que havia rejeitado qualquer mudança inconstitucional de poder, disse que os militares não deveriam entregar o poder ao líder oposicionista.

 

A tensão começou a piorar em janeiro, quando o governo bloqueou o sinal de uma emissora de rádio da oposição. A atitude gerou confrontos entre partidários do governo e da oposição que terminaram com vários mortos. Dias depois, soldados abriram fogo contra partidários da oposição, matando mais de 100 pessoas. O incidente custou ao presidente boa parte de seu apoio entre os militares, pois eles afirmam que ele deu a ordem para se disparar nos manifestantes. 

 

 

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