Ex-editora disse que só soube de escuta em celular 'há duas semanas'

Rebekah Brooks disse que só soube recentemente que o 'News of the World' grampeou adolescente britânica desaparecida.

BBC Brasil, BBC

19 de julho de 2011 | 17h21

A ex-editora-chefe do jornal News of the Word, Rebekah Brooks, negou nesta terça-feira, em depoimento ao Parlamento britânico, ter tido conhecimento das escutas no celular da adolescente Milly Dowler até o caso estourar, há duas semanas.

O escândalo dos grampos ilegais, que podem ter atingido até 4 mil pessoas, provocou o fechamento do jornal News of the World, o mais vendindo da Grã-Bretanha.

Brooks, que chefiava o semanário à época, chegou a ser presa, no último domingo, renunciando logo depois ao cargo de diretora-executiva do News International, o braço britânico do grupo controlador do jornal, de propriedade do magnata Rupert Murdoch.

Ela disse a um comitê de parlamentares que, assim que soube do grampo no celular de Milly Dowler, escreveu para a polícia.

"A primeira vez que ouvi (a história) foi há duas semanas", disse.

A revelação de que o jornal havia manipulado a caixa-postal do celular da garota Milly Dowler, desaparecida em 2002, fazendo a polícia e a familia acreditarem que ela ainda estava viva, foi o estopim do escândalo que resultou no fim do News of the World.

Brooks negou ter autorizado a escuta na época.

"Não conheço ninguém nem a pessoa certa que autorizaria... ninguém que tenha escutado a caixa-postal de Milly Dowler naquelas circunstâncias", afirmou Brooks. Ela disse, no entanto, que assumiria responsabilidades caso um subordinado seu tenha ordenado as escutas.

Brooks falou a um comitê do Parlamento após o depoimento do magnata Rupert Murdoch e seu filho James Murdoch. O dono da News Corporation, grupo que controlava o News of the World, negou ter conhecimento das escutas à época.

Detetive

Brooks se disse arrependida e afirmou que o que ocorreu com a família de Milly Dowler foi "repugnante".

Ela reconheceu que o News of the World contratava detetives particulares, "como a maioria dos jornais" concorrentes. Negou, no entanto, ter conhecido Glen Mulcaire, um dos agentes envolvidos nas escutas.

Brooks disse que o pagamento aos detetives ocorria por meio de diversos departamentos do jornal.

Também afirmou que só percebeu a "gravidade" do escândalo dos grampos quando vieram à tona escutas telefônicas realizadas contra a atriz Sienna Miller, em 2010.

Ela argumentou, ainda, que a News International agiu "rapidamente e decisivamente" quando se deu conta da extensão dos grampos.

Questionada se havia mentido aos seus superiores sobre as escutas, ela negou-se a responder.

Primeiro-ministro

Em seu depoimento, Brooks tentou mostrar distanciamento do primeiro-ministro David Cameron, que chegou a empregar o seu sucessor no News of the World, Andy Coulson, como chefe de comunicação do governo. Assim como Brooks, ele chegou a ser preso.

Brooks negou ter sugerido o nome de Coulson como assessor de Cameron, alegando que a indicação teria sido do ministro das Finanças, George Osbourne, como já veiculado pela imprensa.

Brooks disse nunca ter estado em Downing Street, na residência do primeiro-ministro, sob o governo conservador de Cameron, mas admitiu ter visitado o local com frequência durante as administrações dos trabalhistas Tony Blair e Gordon Brown.

A ex-executiva do News International também negou ter acompanhado Cameron, a quem chamou de "amigo" e "vizinho", em uma corrida de cavalos. Disse, ainda, não ter mantido nenhuma conversa "inapropriada" com o primeiro-ministro.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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