Ex-embaixador dos EUA no Brasil morre aos 96 anos

O diplomata americano Lincoln Gordon, embaixador dos Estados Unidos no Brasil na época do golpe militar, faleceu no domingo, aos 96 anos, em uma casa de repouso em Washington, informa o jornal americano New York Times em sua edição de hoje. Até poucos meses atrás, o diplomata e acadêmico ainda estava ativo e filiado ao think-tank Brookings Institute, na capital americana, onde fazia pesquisas para um novo livro. Com a saúde deteriorada, acabou deixando a instituição e vivia em um abrigo para idosos que necessitam de assistência médica.

AE, Agencia Estado

21 de dezembro de 2009 | 20h49

Sua carreira como diplomata é considerada uma das mais bem sucedidas da história dos Estados Unidos. Chegou a ser o responsável por coordenar o Plano Marshall em Paris e Londres depois da Segunda Guerra, antes de desembarcar no Brasil em 1961 como o representante do governo de John Kennedy. O presidente brasileiro era João Goulart. Ligado ao Partido Democrata, Gordon permaneceu no cargo mesmo depois da morte do presidente, quando assumiu o vice Lyndon Johnson.

Como era o embaixador dos EUA em 1964, Gordon foi acusado em diversas ocasiões de envolvimento no golpe militar que derrubou Jango. Por muitos anos, o embaixador negou envolvimento no episódio. Documentos oficiais divulgados em 2004 pelo governo americano e tornados públicos pela Universidade George Washington, relatam Gordon dizendo, em 27 de março de 1964, que, "se nossa influência serve para ajudar a evitar um grande desastre, que poderia transformar o Brasil na China dos anos 1960, aqui é onde eu e meus assessores achamos que nosso apoio deve ser colocado", em referência aos militares brasileiros.

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