Ex-embaixador taleban está sob custódia norte-americana

Os militares norte-americanos estão interrogando o ex-embaixador do Taleban no Paquistão, mulá Abdul Salam Zaeef, no navio USS Bataan, estacionado no Mar da Arábia, e esperam obter dele informações valiosas que conduzam à captura do terrorista saudita Osama bin Laden e do líder supremo do taleban, mulá Mohamed Omar. Ele é o dirigente taleban mais importante preso até agora pelos Estados Unidos. Zaeef foi detido por forças paquistanesas na quinta-feira, depois que o país recusou seu pedido de asilo, e deportado no sábado para o Afeganistão. O Paquistão negou-se a informar se ele foi entregue a autoridades afegãs ou aos americanos e assinalou que Zaeef perdeu sua imunidade diplomática quando o regime taleban caiu. Depois de iniciada a campanha de bombardeios contra o território afegão, Zaeef tornou-se a figura mais conhecida do regime islâmico no exterior. Ele era o único embaixador taleban, já que Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, as outras duas nações que mantinham relações diplomáticas com o Afeganistão, romperam os laços, por pressão dos Estados Unidos. Todos os dias Zaeef dava entrevistas à imprensa condenando os bombardeios e defendendo o Taleban, até a embaixada ter sido fechada pelo governo paquistanês, semanas depois da tomada de Cabul. Os norte-americanos continuam à caça de Omar, que fugiu da região montanhosa de Baghran, no sul afegão. Forças antitaleban disseram que ele estava cercado, mas conseguiu escapar numa motocicleta quando se negociava sua rendição. A agência France Presse informou, citando fontes no setor de inteligência do governo afegão, que o comandante pró-Taleban Abdul Ahad, o protetor de Omar em Baghran, entregou-se com cerca de mil combatentes. O chefe interino do governo afegão, Hamid Karzai, voltou a prometer que ele será capturado e entregue aos EUA, em entrevista à TV americana ABC. Já o porta-voz da Chancelaria, Omar Samad, afirmou que sua captura "vivo ou morto" é inevitável. Hoje, 25 suspeitos de pertencer à Al-Qaeda presos no Paquistão chegaram ao USS Bataan procedentes do Afeganistão. Entre os presos que permanecem sob interrogatório em Kandahar está Ibn Al-Shayl al-Libi, acusado de chefiar pelo menos um dos campos de treinamento da Al-Qaeda no território afegão. Al-Libi é o mais importante chefe da Al-Qaeda capturado pelos EUA e constava como o número 17 numa lista de 23 terroristas divulgada pelo país em setembro. O Departamento de Defesa dos EUA informou hoje que 1.500 militares serão enviados para a base naval norte-americana de Guantánamo, na Ilha de Cuba, para construírem um superpresídio de segurança máxima destinado a abrigar combatentes taleban e da Al-Qaeda. A edificação terá capacidade para até 2 mil presos e deverá ser contruída rapidamente para a transferência dos detidos. Na Alemanha, a polícia prendeu um libanês de 27 anos que usava um falso passaporte italiano. As autoridades suspeitaram que ele fosse da Al-Qaeda, mas depois descartaram essa hipótese.

Agencia Estado,

06 Janeiro 2002 | 21h02

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