J. Scott Applewhite/AP Photo
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Ex-embaixadora dos EUA na Ucrânia disse que se sentiu 'ameaçada' por Trump

Conteúdo do depoimento de Marie Yovanovitch no inquérito do impeachment de Donald Trump tornou-se público após quase um mês; conselheiros da Casa Branca se recusam a depor, mesmo sob intimação

Redação, O Estado de S.Paulo

04 de novembro de 2019 | 20h52

WASHINGTON - A ex-embaixadora dos Estados Unidos na Ucrânia, Marie Yovanovitch, contou em seu depoimento no inquérito de impeachment do presidente Donald Trump que ela se sentiu “ameaçada” pelo mandatário depois que ela teve conhecimento de que Trump disse ao presidente da Ucrânia, Volodmir Zelenski, que Yovanovitch iria “passar por algumas coisas”.

Apesar do depoimento em sigilo da ex-embaixadora à comissão do impeachment na Câmara dos Deputados ter sido feito no mês passado, somente nesta segunda-feira, 4, as transcrições dos depoimentos de Yovanovitch e de outro diplomata conselheiro do Secretário de Estado, Mike Pompeo, tornaram-se públicas.

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Em relato a democratas e republicanos, a ex-embaixadora disse que acredita ter sido vítima de uma campanha conservadora para incorretamente manchar sua imagem e retratá-la como desleal a Trump, o que teria levado à sua abrupta demissão em maio.

A transcrição também mostra que ela detalhou o que sabia das tentativas do advogado pessoal de Trump, Rudy Giuliani e seus aliados para trabalhar com o ex procurador-geral da Ucrânia para “fazer coisas, incluindo a mim”.

O diplomata, Michael McKinley, descreveu aos investigadores como ele pressionou oficiais do Departamento de Estado dos EUA para apoiar publicamente Yovanovitch enquanto ela era exposta na imprensa americana.

De acordo com a transcrição, McKinley falou diretamente com Pompeo e outros encarregados sobre publicar um comunicado que ressaltasse o profissionalismo de Yovanovitch, mas teve como resposta de um representante do departamento que eles não queriam “chamar atenção indevida” à ex-embaixadora.

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Na semana passada, a Câmara votou uma resolução que ordena as comissões envolvidas na investigação para que divulguem as transcrições e exponham fatos ao público. Na próxima semana, os depoimentos públicos já serão permitidos, já que o plenário aprovou a abertura formal do inquérito do impeachment.

Nesta segunda, Trump, em uma tentativa de minimizar o conteúdo das transcrições, chegou a dizer que o deputado democrata Adam Schiff, presidente da Comissão de Inteligência da Câmara, iria “mudar as palavras que foram ditas para que sirvam aos propósitos dos democratas”. Após revisão dos republicanos e das próprias testemunhas, não houve provas de adulteração.

A divulgação das transcrições ocorreu no mesmo dia em que quatro testemunhas que tinham depoimentos sigilosos agendados na Câmara se recusaram a comparecer. O advogado de segurança da Casa Branca, John Eisenberg, justificou que iria esperar as ordens de um juiz federal para determinar se os conselheiros próximos de Trump são obrigados a responder às perguntas, mesmo tendo sido intimado.

Além de Eisenberg, o conselheiro de Segurança Nacional para o chefe de gabinete da Casa Branca, Robert Blair, o substituto de Eisenberg, Michael Ellis, e o ex chefe de gabinete do secretário de Energia, Brian McCormack, também foram intimados a depor, mas se recusaram.

Em resposta, Schiff, encarregado dos depoimentos, disse que a recusa para depor somente iria “se somar às evidências de uma possível obstrução do Congresso”. Ele também acrescentou que outras duas transcrições serão divulgadas na terça-feira.

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No fim de semana, o advogado do denunciante anônimo responsável pelo início do processo de impeachment, após ter relatado o conteúdo do telefonema entre Trump e Zelenski em julho, disse que o denunciante estaria disposto a responder às perguntas de deputados republicanos, mas por escrito.

A proposta foi rechaçada por Trump e por alguns republicanos, que pedem que a identidade do denunciante seja revelada, sob a acusação de que o impeachment seja uma fraude dos democratas para tirá-lo do poder. / NYT e AP

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