Ex-escrava é nova ministra paraguaia

Margarita foi vendida os 4 anos

Associated Press, O Estadao de S.Paulo

19 de agosto de 2008 | 00h00

Uma indígena seqüestrada aos 4 anos "por brancos" que a venderam como escrava a partir de ontem passou a fazer parte do gabinete do novo presidente Paraguaio, Fernando Lugo. Margarita Mbywangi, de 46 anos, teria sido raptada quando vivia na selva paraguaia e trabalhou para famílias de fazendeiros ricos antes de recuperar a liberdade e se transformar na primeira mulher cacique do país. Ela contou a sua história ontem, no Palácio de Governo, em Assunção, logo após ser nomeada por Lugo para o cargo de Ministra de Assuntos Indígenas. "Hoje não tenho rancor (dos fazendeiros) porque graças a eles pude aprender a ler e escrever", disse Margarita, explicando que o melhor que ocorreu a ela nesse período foi ir para a escola. "É por isso que falo três idiomas: aché, guarani e espanhol". Mbywangi contou que começou a buscar sua origem aché quando tinha 20 anos. "Até que encontrei a minha gente na comunidade Chupapou", disse. Ela prometeu lutar para melhorar a qualidade de vida dos indígenas do país. Até o fim da ditadura de Alfredo Stroessner (1954 - 1989) era relativamente comum no Paraguai a prática conhecida como "criadaço", na qual mães pobres entregavam seus filhos para servirem ricos fazendeiros que, em troca, lhes educavam. Há denúncias de que tal prática ainda existe em algumas regiões do país.

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