Ex-escravas sexuais filipinas pedem atenção de Koizumi

O primeiro-ministro japonês Junichiro Koizumi chegou a hoje Manila, nas Filipinas, onde inicia tour pela Ásia que inclui visitas à Malásia, à Indonésia, à Tailândia e a Cingapura. A segurança para a passagem de Koizumi pelas Filipinas foi reforçada porque diversos grupos organizaram protestos em apoio às mulheres filipinas que foram transformadas em escravas sexuais por soldados do exército imperial japonês durante a Segunda Guerra Mundial. Os grupos exigem que o Japão se desculpe pelos crimes militares e pague indenizações às mulheres filipinas sobreviventes. Embora Tóquio tenha reconhecido a existência da escravidão sexual, se nega a pagar indenizações. O argumento japonês é de que os tratados de paz firmados após a guerra puseram fim a esses crimes e que as leis internacionais não exigem o pagamento de indenizações. Durante a visita de Koizumi ao monumento em homenagem ao herói filipino Jose Rizal, diversas mulheres idosas realizaram um protesto e tentaram se aproximar do primeiro-ministro, mas foram impedidas por policiais. ?Muitas de nós morreram e outras estão doentes, inclusive eu?, disse Atanacia Cortes, uma filipina de 78 anos que foi vítima de escravidão sexual. ?Se não pudermos falar com ele, apenas queremos que ele perceba que estamos aqui?. Koizumi e a presidente filipina Gloria Macapagal Arroyo estiveram reunidos hoje mas não discutiram o tema da escravidão sexual durante a guerra. Após a reunião, Gloria Arroyo informou que pediu a ajuda do Japão no desenvolvimento de áreas pobres muçulmanas no sul do país, enfatizando que a erradicação da pobreza pode ajudar no combate ao terrorismo. Arroyo e Koizumi discutiram também temas como segurança regional, combate ao terrorismo e cooperação econômica. ?Compartilhamos a visão de que a luta contra o terrorismo está relacionada à luta contra a pobreza?, disse Arroyo. ?Pedi a ajuda japonesa para as áreas rurais muçulmanas de Mindanao?. Não ficou claro o que Koizumi respondeu, mas o conselheiro de segurança nacional das Filipinas, Roilo Golez, que participou do encontro, se mostrou otimista em relação a um maior envolvimento do Japão na questão da violência que atinge a região de Mindanao, onde se concentram cerca de 5 milhões de muçulmanos filipinos num país predominantemente católico, o que transformou o local no cenário de diversos levantes separatistas. Forças militares norte-americanas ofereceram armas e treinamento militar para ajudar as Filipinas no combate ao grupo extremista Abu Sayyaf, que esteve ligado, no passado, à rede terrorista comandada por Osama bin Laden, o Al-Qaeda. Guerrilheiros do Abu Sayyaf mantêm um casal norte-americano e um enfermeiro filipino como reféns em Mindanao, únicos reféns remanescentes de um grupo que foi seqüestrado em maio passado. Um americano, que também era refém do grupo, foi assassinado.

Agencia Estado,

09 Janeiro 2002 | 12h52

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