Arquivo NSA
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Ex-espião americano da Guerra Fria ganha liberdade após 30 anos

Ronald Pelton foi preso em 1985, ano que passaria a ser conhecido como o Ano da Espionagem em razão da quantidade de casos ocorridos no alto escalão, na época

O Estado de S. Paulo

24 de novembro de 2015 | 17h54

WASHINGTON - O americano Ronald Pelton, ex-agende da Agência de Segurança Nacional (NSA, na sigla em inglês), condenado por vender segredos de defesa e de comunicação para os soviéticos durante a Guerra Fria, ganhou a liberdade após cumprir uma pena de 30 anos. Desde o ano passado, ele já cumpre prisão domiciliar e esta terça-feira, 24, foi o último dia da pena do espião, de 74 anos, segundo explicou o porta-voz do Departamento de Prisões, Ed Ross. 

Ex-especialista em comunicação inteligente da NSA, Pelton foi preso em novembro de 1985 sob as acusações de vender informações de inteligência para os soviéticos entre os anos 1980 e 1985. Na época, ele chegou a receber cerca de US$ 35 mil por elas. 

Procuradores disseram que um agente da KGB (polícia secreta soviética) que desertou passou as informações sobre Pelton para os investigadores. O desertor voltou mais tarde para Moscou. 

Entre os segredos repassados por Pelton estavam alguns relacionados à Operação Ivy Bells, um esforço da NSA e da Marinha americana para alcançar cabos de comunicação soviéticos sob o oceano. 

Ele recebeu três condenações à prisão perpétua em 1986 por um tribunal federal que o acusou de trair "uma especial posição de confiança", colocando em risco a segurança e causando danos aos programas de inteligência americanos. 

Sob as regras da sentença naquela época, Pelton teria direito a ser solto em liberdade condicional após cumprir 30 anos sob a custódia federal. Pelton pediu clemência, dizendo que com a redução da pena "poderia pelo menos aproveitar um pouco do restante de tempo que tem de vida". Seu advogado afirmou que a espionagem foi o "maior erro de sua vida". 

O americano trabalhou por 14 anos para a NSA antes de pedir demissão em 1979. Segundo o FBI, Pelton, em razão de problemas financeiros, procurou a embaixada soviética em Washington e ofereceu segredos em troca de diheiro. 

O ano da prisão de Pelton, 1985, passaria a ser conhecido como o Ano da Espionagem em razão da quantidade de casos ocorridos no alto escalão, na época. 

Entre eles, está o de Jonathan Pollar, o ex-analista de inteligência da Marinha que forneceu segredos para Israel e conseguiu liberdade condicional na semana passada após 30 anos de prisão e o de John Anthony Walker Jr., o ex-subtenente da Marinha que repassou segredos criptografados para os soviéticos e morreu no ano passado. 

Pelton cumpriu sua pena em uma prisão federal na Pensilvânia, mas foi transferido ano passado para uma casa de confinamento, antes de ganhar a liberdade hoje. / AP  

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