Ex-espião ´não era inimigo da Rússia´, diz Kremlin

O russo Alexander Litvinenko nunca trabalhou como espião para a Rússia e "não era tão importante para que alguém quisesse matá-lo", afirmou nesta quarta-feira o porta-voz do Kremlin, Dimitri Peskov, em uma entrevista publicada no jornal Le Monde.Litvinenko morreu no dia 23 de novembro, em Londres, vítima de envenenamento. De acordo com as investigações, o ex-espião russo teria sido envenenado por polônio-210, uma substância radioativa e altamente tóxica."Não era alguém que pudesse ser considerado inimigo da Rússia", disse Peskov ao diário francês. O objetivo dos assassinos de Litvinenko, que "podem ser russos, britânicos ou alemães", segundo o porta-voz do Kremlin, era "destruir a reputação da Rússia e do presidente Vladimir Putin.Para fundamentar sua tese, Peskov disse que resíduos radioativos também foram encontrados em Londres, em locais freqüentados por membros da oposição. O porta-voz do Kremlin ainda descartou a hipótese de que a substância utilizada para envenenar o ex-espião tenha sido produzida na Rússia. De acordo com ele, o controle do governo sobre o material nuclear produzido no país funciona "perfeitamente". "A Rússia produz polônio-210 em uma fábrica situada em uma cidade estratégica", disse. Peskov garantiu ainda que as autoridades russas são as primeiras interessadas em esclarecer o assunto.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.