Ex-espião russo diz ter nome de assassino de ex-colega

O ex-espião russo Yuro Shvets disse ter dado às autoridades britânicas o nome da pessoa que estaria por trás do assassinato de seu ex-colega e ex-agente da KGB Alexander Litvinenko. "A verdade é que temos um ato de terrorismo internacional em nossas mãos. Acredito saber quem está por trás da morte de meu amigo Sasha (Litvinenko) e o motivo para seu assassinato", disse Shvets em entrevista à Associated Press.Litvinenko morreu em 23 de novembro em um hospital de Londres, aos 43 anos, vitimado por envenenamento com o elemento radiativo Polônio 210. Antes de morrer, ele teria ditado a amigos uma declaração em que acusa o presidente da Rússia, Vladimir Putin, de ter ordenado sua morte. O Kremlin nega a acusação.Na entrevista à AP, Shvets disse que conhecia Litvinenko desde 2002 e que falou com ele no dia de sua morte. Ele também afirmou que foi interrogado pelo caso por oficiais da Scotland Yard britânica e pelo FBI norte-americano.Shvets disse ainda que Litvinenko lhe havia apresentado ao consultor de segurança italiano Mario Scaramella, que está hospitalizado em Londres com envenenamento por Polônio 210. Em entrevista à rede de televisão italiana RAI, Scaramella confirmou que havia se encontrado com Litvinenko em um sushi bar de Londres em 1º de novembro, logo antes de o ex-espião russo adoecer. Nesse encontro, ele teria dito a Litvinenko que recebera um e-mail, de fonte não revelada, com os nomes dos assassinos da jornalista russa Anna Politkovkaya, morta a tiros em seu apartamento em Moscou no dia 7 de outubro. Segundo Scaramella, o e-mail dizia que ele mesmo e Litvinenko, que investigavam a morte da jornalista, estariam numa lista de pessoas a serem assassinadas.Fonte da jornalistaEm uma entrevista com um parlamentar italiano próximo à Scaramella publicada em sua edição deste domingo, o jornal espanhol El País informa que Litvinenko era uma das fontes da Politkovkaya. Segundo o senador Paolo Guzzanti, o ex-espião fornecia à jornalista informações sobre as atividades dos serviços secretos russos na Chechênia, região separatista da Rússia. Guzzanti também estaria entre as possíveis vítimas dos serviços secretos russos, pois presidiu uma comissão parlamentar que investigou as atividades da KGB na Itália durante a guerra fria. Na entrevista, o parlamentar lembra que Putin expressou grande descontentamento quando a comissão pediu informações sobre essas atividades para o governo russo. Atualmente, o senador vive constantemente protegido por seguranças e não sai de casa em carros que não sejam blindados. "Tenho mulher e dois filhos pequenos, e, obviamente, estou muito preocupado. Não me sinto absolutamente seguro", disse ele ao El País.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.