Ex-espião russo pode ter sofrido contaminação radioativa

O hospital britânico que trata o ex-espião russo Alexander Litvinenko informou nesta terça-feira que resultados de exames mostraram que ele não deve ter sido envenenado com o metal tóxico tálio como se acreditava anteriormente. Por meio de um comunicado, a direção do Hospital Universitário de Londres afirmou que seu quadro médico está analisando outras possibilidade para a doença de Litvinenko. "Com base nos resultados dos testes que recebemos e no histórico clínico do senhor Litvinenko, o envenenamento por tálio é uma causa improvável para sua atual situação de saúde", diz o boletim médico. O médico Amit Nathwani, um dos profissionais que tratam do ex-espião, afirmou que "os níveis de tálio detectados não são suficiente para configurar uma toxicidade". Mais cedo, o doutor John Henry, outro profissional no caso, havia dito que um material radioativo poderia estar envolvido. Litvinenko "tem alguns sintomas consistentes com a contaminação por tálio", disse Henry. "Seus sintomas também são consistentes com outras formas de contaminação e envenenamento. Portanto, não se trataria somente de tálio", disse. "Pode tratar-se de tálio radioativo", especulou o médico. Segundo ele, Litvinenko pode precisar de um transplante de medula óssea por causa da degeneração das células. O tálio é um metal pesado incolor, inodoro e solúvel em água que pode ser letal mesmo em doses tão pequenas quanto um grama da substância. De acordo com Henry, pode ser tarde demais para determinar quais outras substâncias teriam sido usadas além do tálio porque elas podem já ter sido expelidas pelo organismo da vítima. Litvinenko, um ex-agente da KGB e da agência de espionagem que a sucedeu, a Serviço Federal de Segurança (FSB, por suas iniciais em russo, sucessora da KGB) conhecido por suas duras críticas ao Kremlin, é protegido por agentes armados no hospital onde está internado. Amigos e dissidentes dizem que ele foi vítima de uma tentativa de assassinato e acusam o governo russo pelo episódio. Na conversa desta quinta-feira com jornalistas, Henry perdeu a paciência com jornalistas que perguntavam insistentemente se ele acreditava que o ex-espião havia sido deliberadamente contaminado. "Não sou um político, sou um médico", gritou Henry num determinado momento. Henry disse que Litvinenko já consegue se alimentar e falar. "No momento, porém, ele ainda não está melhorando, mas está suportando", prosseguiu. A Polícia Metropolitana de Londres informou na segunda-feira que a investigação do caso foi assumida por sua unidade de combate ao "terrorismo". Tanto o Kremlin quanto o FSB negam qualquer tipo de envolvimento no caso.

Agencia Estado,

21 Novembro 2006 | 20h03

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