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Ex-funcionário de Fukushima abre 1.º processo contra usina por ter contraído câncer

Em denúncia, homem associa a doença ao trabalho que realizou no local meses depois do acidente nuclear causado por um terremoto

O Estado de S. Paulo

02 Setembro 2015 | 09h35

TÓQUIO - Um ex-funcionário de Fukushima apresentou o primeiro processo contra a companhia operadora da usina nuclear após contrair câncer por causa da exposição a uma dose excessiva de radiação, informou nesta quarta-feira, 2, a imprensa japonesa.

O processo apresentado na terça-feira pelos advogados do ex-funcionário perante o tribunal de Sapporo é o primeiro que se baseia na suposta relação entre um caso de câncer e os trabalhos em Fukushima após a crise nuclear de 2011, destacou o jornal Mainichi.

O antigo empregado da usina, de 57 anos, reivindica uma indenização de 65 milhões de ienes (cerca de R$ 1,92 milhão) à operadora da usina, Tokyo Electric Power (TEPCO), e a duas terceirizadas encarregadas dos trabalhos nas instalações nucleares, afirmou o jornal Asahi.

O homem trabalhou na central de Fukushima Daiichi entre o início de julho e o final de outubro de 2011, meses depois do acidente nuclear causado pelo terremoto e o tsunami de 11 de março.

Sua tarefa era retirar escombros com máquinas, segundo consta da denúncia, na qual estima ter recebido uma dose de radiação superior a 100 microsieverts durante o citado período, e afirma que em algumas ocasiões trabalhou sem dosímetro (dispositivo que registra a radiação acumulada no corpo).

Com isso, segundo a denúncia, em quatro meses foi registrado o limite de radiação anual fixado pela legislação japonesa para trabalhadores de instalações nucleares, embora o governo tenha decidido elevar o teto anual até os 250 microsieverts de forma excepcional durante a crise de Fukushima.

Quase um ano após trabalhar em Fukushima, o homem foi diagnosticado com três casos independentes de câncer na bexiga, no estômago e no cólon, segundo o Asahi.

Antes de apresentar o processo, o ex-funcionário da central nuclear reivindicou uma compensação por acidentes de trabalho que foi rejeitada pelo escritório de inspeção do trabalho da província de Fukushima. A operadora da usina disse que examinará o processo e oferecerá uma resposta adequada.

Cerca de sete mil pessoas trabalham diariamente nos complicados trabalhos de desmantelamento da central e de controle dos resíduos radioativos. /EFE

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