AP Photo/Andrew Harnik
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Ex-funcionários pedem renúncia de secretário da Justiça dos EUA

Petição alega que William Barr interveio para reduzir a sentença de Roger Stone, ex-conselheiro e amigo de Donald Trump

Redação, O Estado de S.Paulo

16 de fevereiro de 2020 | 19h46

WASHINGTON - Em uma ação rara, mais de mil ex-funcionários do Departamento de Justiça dos EUA assinaram uma petição pedindo a renúncia do secretário da Justiça William Barr por sua intervenção para reduzir a sentença de Roger Stone, um ex-conselheiro de campanha e amigo do presidente Donald Trump.

Os signatários do texto acusam Trump e Barr de “abertamente e repetidamente” ignorar o princípio fundamental de equanimidade e imparcialidade na aplicação das leis. A petição decorre do escândalo político causado pelas acusações de que Barr decidiu, supostamente pressionado por Trump, desautorizar seus próprios promotores e buscar uma sentença mais leve para Stone.

Quatro promotores do Departamento de Justiça renunciaram ao caso na semana passada em aparente protesto contra a interferência do presidente

“Uma pessoa não deve receber tratamento especial em um processo criminal por ser um aliado político próximo ao presidente”, afirma o comunicado. “Os governos que usam o poder de fazer cumprir a lei para punir seus inimigos e recompensar seus aliados não são repúblicas constitucionais; são autocracias”, acrescenta.

Os promotores que trabalham no caso recomendaram uma sentença de sete a nove anos de prisão, depois que Stone foi considerado culpado de obstrução de uma investigação do Congresso sobre a interferência da Rússia na campanha eleitoral de 2016 e de fornecer falso testemunho. 

No Twitter, Trump criticou a recomendação e a chamou de “horrível e muito injusta”. Horas depois, Barr interveio no caso e eliminou a recomendação, alegando ser “excessiva e desproporcional”.

A assessora da Casa Branca Kellyanne Conway defendeu as ações de Trump na Fox News, insistindo que ele não deu nenhuma ordem a Barr. / AFP

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