Goran Tomasevic/REUTERS
Goran Tomasevic/REUTERS

Ex-general do Exército de Burundi diz que presidente Nkurunziza foi destituído

Pelo Twitter, presidência do país afirmou que tentativa de golpe fracassou; África do Sul diz que ainda é cedo para confirmar golpe de Estado

O Estado de S. Paulo

13 de maio de 2015 | 10h58

BUJUMBURA, BURUNDI - O ex-diretor do serviço de inteligência do Burundi Godefroid Nyombare anunciou nesta quarta-feira, 13, a destituição do presidente do país, Pierre Nkurunziza, depois de semanas de protesto no país contra sua intenção de disputar um terceiro mandato - Nkurunziza está na Tanzânia, onde participa de reunião sobre a crise em seu país. Pelo Twitter, a presidência do país afirmou que a tentativa de golpe "fracassou". 

"O presidente Pierre Nkurunziza foi destituído de suas funções, o governo foi dissolvido", anunciou na rádio Insaganiro o ex-general Nyombare, que foi destituído em fevereiro pelo chefe de Estado depois de recomendar ao presidente que não disputasse o terceiro mandato, considerado inconstitucional por seus adversários políticos. Centenas de soldados cercaram o prédio da emissora estatal na capital Bujumbura.


O ex-general afirmou que está disposto a formar um "comitê para a restauração da harmonia nacional", uma entidade temporária que terá como missão, entre outras coisas, a "restauração da unidade nacional e a retomada do processo eleitoral em um ambiente pacífico e justo".

"Peço a todos que respeitem a vida e as propriedades dos outros", acrescentou Nyombare. O anúncio do ex-general, uma figura altamente respeitada, foi feito poucas horas depois de Nkurunziza deixar o país para uma viagem a Dar es Salaam, na Tanzânia, onde pretende debater com líderes regionais soluções para a crise de violência que afeta o Burundi.

Niyombare, também ex-embaixador no Quênia, estava junto de diversas outras autoridades graduadas do Exército e da polícia, incluindo um ex-ministro da Defesa. "Sobre a arrogância e desafio do presidente Nkurunziza em relação à comunidade internacional, que o aconselhou a respeitar a Constituição e o acordo de paz de Arusha, o comitê para a criação da concórdia nacional decide: presidente Nkurunziza está destituído, seu governo está destituído também", disse.

Instantes depois do anúncio do ex-general, a presidência do Burundi afirmou por meio de sua conta no Twitter que a tentativa de golpe de Estado havia "fracassado". "A situação está sob controle, não há golpe em Burundi", diz a mensagem publicada na rede social.

Desde o fim de abril, mais de 20 pessoas morreram e 220 ficaram feridas durante protestos no país depois que o CDD-FDD, partido de Nkurunziza, o escolheu como candidato à reeleição para a votação prevista para o dia 26 de junho.

No sábado, as autoridades do país exigiram "o fim imediato e incondicional" dos protestos contra a candidatura do atual presidente. A medida foi qualificada pelo opositor Coletivo Contra o Terceiro  Mandato como uma "declação de guerra ao povo", disse Pacifique Nininahazwe, um dos dirigentes da agremiação clandestina.

Na sexta-feira, os 15 integrantes do Conselho de Segurança da ONU pediram calma e eleições igualitária no Burundi, mas não se prenunciaram sobre a legalidade ou não de um terceiro mandato de  Nkurunziza.

Manifestantes dizem que a tentativa de Nkurunziza de assumir outro mandato de cinco anos viola o limite constitucional de dois mandatos e o acordo de paz de Arusha, que terminou em uma guerra civil étnica em 2005 na qual morreram 300 mil pessoas.

Em razão dos violentos protestos contra Nkurunziza, cerca de 50 mil pessoas fugiram do Burundi em direção aos países vizinhos, de acordo com a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR).

O ministério de Relações Exteriores da África do Sul, disse estar monitorando a situação de perto, mas ainda era cedo para determinar se um golpe de Estado estava em curso ou não no Burundi. 

Doadores ocidentais, incluindo os Estados Unidos e a União Europeia, criticam a decisão de Nkurunziza de tentar outro mandato. A Bélgica, país que colonizou o Burundi, disse que não faria comentários sobre a declaração do ex-general Nyombare.

Reunião. Nkurunziza se reúne nesta quarta-feira com outros líderes da Comunidade da África Oriental, que inclui Ruanda, Quênia, Tanzânia e Uganda, para discutir os protestos no Burundi. A principal diplomata dos EUA para a África, Linda Thomas-Greenfield também viajou para a Tanzânia para contribuir no encontro de emergência, de acordo com uma nota do Departamento de Estado dos EUA.

Linda vai expressar a preocupação dos EUA sobre a situação do país, além do apoio dos americanos ao acordo de paz de Arusha e ao diálogo político entre todas as partes para garantir a realização de eleições pacíficas, críveis e inclusivas no Burundi, afirmou o Departamento de Estado.  / AFP, EFE e REUTERS

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