AFP PHOTO / ARMEND NIMANI
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Ex-guerrilheiro Hashim Thaci assume a presidência do Kosovo

Fundador e líder do Partido Democrático do Kosovo (KDP), principal partido do jovem país, Thaci se comprometeu a 'preservar a independência, soberania e integridade territorial' do país

O Estado de S. Paulo

07 Abril 2016 | 12h46

BELGRADO - Hashim Thaci, ex-guerrilheiro, ex-primeiro-ministro do Kosovo e ex-chanceler, jurou nesta quinta-feira, 7, no Parlamento o cargo de presidente do país balcânico, em uma sessão solene boicotada pela oposição nacionalista. Thaci se comprometeu a dedicar todas suas forças "à preservação da independência, à soberania e à integridade territorial da República do Kosovo".

O ex-guerrilheiro declarou que o objetivo do Kosovo é "a integração na União Europeia (UE) e na Otan" e manter a amizade com os Estados Unidos. Por isso, impulsionará as reformas estruturais, a luta contra a corrupção e ao crime organizado e o desenvolvimento da economia, informaram os meios de comunicação locais.

Thaci ressaltou a importância da estabilidade e paz na região mediante o diálogo para a normalização das relações com a Sérvia, país que segue sem reconhecer a independência. "O diálogo não tem alternativa e agora necessita de um novo dinamismo, nova energia para a tomada de decisões e seu cumprimento", manifestou Thaci perante os parlamentares.

Amanhã será realizada na praça central "Skenderbeu" de Pristina pela primeira vez uma cerimônia oficial de posse, à qual foram convidados cerca de mil representantes de 50 países. Thaci, de 47 anos, foi eleito novo presidente em 26 de fevereiro, em meio a grandes protestos populares e com a oposição levando sua negativa ao Parlamento, com o lançamento de gás lacrimogêneo para bloquear o trabalho da instituição.

Nesta quinta, a oposição colocou em várias cidades do Kosovo cartazes com palavras de ordem contra Thaci, como "a imagem do crime e a corrupção, o presidente", mas não organizou novos protestos.

Thaci é historiador de formação, fundador e líder do Partido Democrático do Kosovo (KDP), principal partido do jovem país. Foi líder político do Exército de Libertação do Kosovo (UCK) durante o conflito armado entre esta guerrilha e as forças sérvias em 1998-1999, que acabou com a intervenção da Otan. Em 17 de fevereiro de 2008, sendo primeiro-ministro, leu no Parlamento a declaração de independência do Kosovo.

O Kosovo, de 1,8 milhão de habitantes e povoado por uma maioria de albaneses étnicos, foi reconhecido até agora como país independente por 111 países, entre eles Estados Unidos e a maioria de membros da UE, com exceção da Espanha, Chipre, Grécia, Eslováquia e Romênia, e também não pela Sérvia, China e Rússia. / EFE

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